Simples. Depois de ficar divagando sobre as cores Radioheadianas (no último post), me veio a idéia de enumerar algumas maravilhas em preto e branco. Sem ordem de importância ou caracterização, decidi colocar algumas das coisas que adoro e que, por acaso do destino, foram concebidas em duas cores.
Charlie Chaplin:

"The Tramp"
Nunca ninguém fez tanto com tão pouco. O vagabundo era o mesmo, os motes para rir eram os mesmos, os contextos podiam variar bastante, mas a sentimentalidade era a mesma.
Charlie era metódico e intenso. Carlitos era assistemático por talento e afetuoso por carência. Chaplin não se continha e sempre inseria suas ideologias em suas películas. O Vagabundo se resguardava, até porque não podia falar (isso até “O Grande Ditador”, em que o barbeiro judeu finalmente disse tudo que o velho Chaplin e o próprio Vagabundo sempre quiseram desabafar). E nem posso dizer que são os dois lados de uma mesma moeda. Charlie Chaplin é um tesouro cunhado com esmero, uma estrela poderosa da Hollywood do começo do séc. XX (tinha o próprio estúdio, fazia os próprios roteiros que ele próprio os dirigia e atuava). Carlitos não valia um tostão furado além do valor simbólico de ser uma das personagens mais queridas e lembradas de toda a história do cinema. Claro que ambos são uma única entidade e é justamente esse o grande fascínio que temos por criador e criatura que se completam e se caracterizam por sempre se mostrarem, cada um a seu jeito, amantes profundos das grandes e pequenas coisas.

Carisma em "Tempos Modernos"
Os Três Patetas:

Moe, Larry e Curly
E pensar que, na verdade, nem eram só três. Moe, Larry, Curly, Chemp e Joe. Estava formado o pastelão mais divertido dos anos 40 e 50. Uma espécie de “Os Trapalhões dos anos dourados” em que um era o líder sério, o outro era o desatento e ainda tinha um último que se dotava de uma inocência incessante. Os esquetes também rodavam em torno de um mesmo eixo: se dar bem.
Claro que, nessa premissa de enganar ou driblar situações pra garantirem alguma jogada, armava-se uma intensa confusão cheia de coisas voando, correrias e caretas. O mais legal era a semelhança que o trio tinha com os desenhos animados que e faziam pela violência gratuita e (aparentemente) sem maldade. Valia de um tudo pra surpreender e arrancar diversas gargalhadas, desde tapas na cabeça, passando por sopapos na cara, pisões no pé, ganchos no estômago, sabão goela abaixo, sapatadas, agulhadas, mordidas, pontapés, fugas aos tropeços, xingamento exacerbado e a clássica dedada nos olhos (cuja defesa mais eficaz era colocar a mão na frente do nariz, evitando assim que o dedo indicador e o médio golpeassem as bolas do zóio).

O clásico pastelão
Alfred Hitchcock:

o Careca e sua "Psicose"
Não é chamado de Mestre à toa. Meticuloso ao extremo, Hitchcock fez escola e definiu o que é um filme de mistério. De Receba (a mulher inesquecível) à Cortina rasgada. Janela Indiscreta, Psicose, Um Corpo que Cai. O diretor inglês sabia com primor como mexer com nosso psicológico, como aguçar o nosso voyeurismo, como nos atormentar com apaixonadas perigosas e homens transtornados com suas mães. Dirigiu James Stewart e Cary Grant, este último, um dos poucos que conseguiu atuar em diversas películas do careca excêntrico, já que é de conhecimento que Alfred Hitchcock tacava o puteiro geral quando dirigia seus filmes (possuindo até a célebre frase “Ator pra mim é como gado”).

Hitchcock divagando em seu set
O mais interessante mesmo é como um bom suspense fica ainda melhor em preto e branco.
Sin City:

Imagens capturadas como nos quadrinhos
Temos uma unanimidade – Frank Miller sabe fazer quadrinhos. Seja como desenhista, roteirista ou criando tudo, do começo ao fim, tudo que envolve seu nome vira objeto cultuado. O Cavaleiro das Trevas, (Demolidor,) O Homem sem Medo, Elektra e uma infinidade de mini-séries que se destacaram pela qualidade dos traços e a profundidade dos temas.
Temos também uma confusão – Nem todo mundo acha que Frank Miller sabe fazer cinema. 300 (de Esparta) dividiu críticas e (o ainda não lançado) Spirit já foi bem chutado pelos especialistas (do cinema e dos quadrinhos). Mesmo assim, um filme de Frank Miller sempre gera $ e discussão.
Sin City é sua obra mais querida e divisora de águas – tanto nos quadrinhos quanto nos cinemas. Personagens dos mais carismáticos são inseridos a rodo nas tramas que sempre envolvem a protagonista: A Cidade. São monstros, heróis e deusas que vão e vem na noite fria impregnada de violência, sexo e…Pecado.

Marv - O sociopata mais querido
Doze Homens e uma Sentença:

o Big Brother em preto e branco
Em uma conversa de boteco, estávamos Rafael Campos, Pedro Jansen e eu, admirando os colhões que teve Christopher Nolan ao filmar duas cenas do Batman (O Cavaleiro das Trevas) sem usar efeitos especiais. Nos dias de hoje, gravar aquela cena do caminhão tombando e da explosão do hospital pra valer, numa única chance (imagina a $ e o tempo tomado caso tudo desse errado) era mesmo um fato digno de pagação de pau. Mas colhão, colhão mesmo é colocar praticamente todo o elenco que se tem dentro de uma sala apertada e desenrolar a trama quase toda no tal cubículo. E mais colhões ainda é fazer disso tudo um dos maiores clássicos do cinema. A parada é a seguinte: um grupo de pessoas deve decidir o destino de um acusado de assassinar o próprio pai. Onze deles são taxativos – Culpado. Mas Henry Fonda, o jurado de número 8 discorda – Ele é inocente.
Nisso tudo se desenrola um interessante estudo antropológico da convivência em grupo do ser humano (isso muito antes de alguém vir pra “inventar” o Big Brother, hein) em situações complicadas, sob forte pressão e em lugares restritos (os doze jurados só podiam sair da sala com uma decisão unânime). Botar tudo isso nas costas e voltar com um filme ótimo, ah…não é pra qualquer um não (palmas para o diretor, Sidney Lumet).

Os jurados
I Don’t Know What To Do With Myself:

Kate Moss
Simplificando – uma mulher gata fazendo lap dance é sempre uma mulher gata fazendo um lap dance. E tenho dito.
Jack White conheceu a modelo Kate Moss, que lhe confessou ser grande fã da dupla White Stripes. E ele disse como quem não quer nada – “Hey, você poderia então participar de um clipe nosso”. Para a sua surpresa (e nosso deleite), ela disse sim e, como dizem por aí, o resto…é história.
O vídeo, pra completar, foi dirigido pela Sofia Coppola e é simples e objetivo: uma modelo gata, um cano estrategicamente posicionado e a sensualidade natural que exala tanto da Kate Moss e seus pezinhos vagando no ar quanto da delicadeza sempre presente da menina Coppola. Tudo isso, claro, com a indagação mais pertinente pro momento: “I just don’t know what to do with myself”.
Blade – A Lâmina do Imortal:

Manji
Páginas e páginas onde a delicadeza da tradição incrustada na alma japonesa se encontra com a sede de violência tão pertinente ao mundo ocidental, criando um dos mangás mais gostosos de ler. A história em si é bem simples e a imagem e semelhança de outras tramas nipônicas não é mera coincidência: Manji, o guerreiro que fode com todo mundo, se arrepende, mas uma maldição faz com que ele continue a fazer o que faz de melhor (foder com todo mundo). Mas dessa vez, em prol da boa ação. O armipotente agora é imortal e vive recluso, só podendo bater as botas depois de matar 1000 (sim, eu escrevo por extenso – mil) criminosos. E já que é pra retalhar geral, Manji decide ajudar uma pequena em sua vingança dos pais mortos contra um grupo de rebeldes que acham que fodem com todo mundo (o Itto-ryu). O desenho é bem traçado e em algumas páginas temos verdadeiras pinturas tomadas de extrema doçura, mostrando ápices de batalhas brutais. Toda a coisa também vem recheada de informações interessantes sobre as tradições e costumes do Japão feudal, explicando nomes, termos e situações que melhor nos ambientam no verdadeiro massacre que Manji provoca por onde passa.

Delicado e brusco
Dylan Dog:

o "detetive do pesadelo" e a Morte
Também chamado de “o detetive do pesadelo”, Dylan Dog é o protagonista do quadrinho mais famoso da Itália e, se tudo continuar correndo bem, vai virar filme em breve.
A HQ é da década de 80 e fez um sucesso relevante em muitos países, apesar de ter tido seus altos e baixos aqui no Brasil (vários cancelamentos e relançamentos em diversas editoras).
Dog é um ex-agente da Scotland Yard que largou seu posto para prestar serviços particulares em um escritório, sempre contando com a presença de seu inseparável ajudante, o (como o próprio detetive diz) “famoso comediante” Grouxo Marx. Dylan Dog está sempre de camisa vermelha, jeans, paletó preto (os quadrinhos são em preto e branco, mas as capas sempre são coloridas) e também não sai de casa sem sua coleção de piadas e comentários politicamente incorretos. Agora…por que raios “detetive do pesadelo”?
Dog só pega casos escabrosos que envolvem assassinatos, cemitérios, sobrenatural e pactos com o Coisa-Ruim. Os quadrinhos são imersos em mistério, suspense e dilemas que mexem com religião, moral e qualquer tipo de bons costumes. Os traços de nanquim muitas vezes beiram o grosseiro e desenvolvem todo tipo de sensualidade, tragédias, rituais macabros que invocam demônios, envolvem sacerdotes e mulheres nuas prontas para o…sacrifício.
Eu cheguei a ter um especial em que Dylan Dog se via obrigado a fazer parceria com Martin Mystère (personagem de um quadrinho francês, também dos anos 80) numa aventura que chegou a ter uma rápida (e nem um pouco tranquila) descida ao Inferno e a descoberta de que o careca de óculos escuros que ambos perseguiam era, na verdade, o Pé-Preto himself. Cruz-credo!

Dylan Dog e seus demônios
Estrelas em Preto e Branco:

Marilyn Monroe
Fotos de grandes estrelas em preto e branco são quase sempre mais legais que as fotos de grandes estrelas em cores. Seja no glamour, na nostalgia, na poética ou no estilo que caracteriza essas imagens estáticas que artistas que admiramos, uma foto em PB pode realmente definir, no ato, todo o propósito de tal registro.

Rat Pack
O Glamour da era de ouro de Hollywood, com suas divas e seus cantores-atores. Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Frank Sinatra e os outros Rat Packs, Dean Martin e Sammy Davis Jr. De James Dean a Marlon Brando. Nossos mestres da música brasileira imortalizados em dois tons. Noel, Caymmi, Tom e Vinícius em momentos de descontração, de Cartola a Chico Buarque na época em que cultivava seu bigode.

Audrey Hepburn
Da era ieieiê doa Beatles até os poderosos homens de negócio da música, como o impiedoso esmagador da concorrência no Rap gringo, Jay Z. As cores estão aí há mais de muito tempo, mas o que faz mesmo a cara de qualquer musico, ator ou qualquer aspirante ao estrelato é mesmo as poses em duas cores.

James Dean

Cartola

Chico Buarque

mestre Dorival Caymmi

Jay Z

Arctic Monkeys

Barack "newest popstar" Obama
[Claro que faltaram várias maravilhas em PB para se comentar - de O Gordo e o Magro e Comedy Papers a Calvin e Haroldo. Mas quem sabe essepost não tem uma continuidade em algum blog por aí. Clro que, se houver, venham me avisar]







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