O que te faz rejuvenescer?
Todos temos fragmentos de Benjamin Button incrustados em nossas vidas, almas ou o que quer que seja que faz nosso mundo girar – do começo ao fim.
Claro que a primeira impressão que temos de ter é que rejuvenescer não é retroagir, assim como se fazia o relógio que contava o tempo num avesso esperançoso de mudar determinadas realidades. Tendo isso pensado, podemos retornar à pergunta (voltar a um determinado ponto que não tinha continuação): O que te faz rejuvenescer? – Insisto na questão para o bel desenvolvimento de nossos pensamentos.

No caso de B. Button, o rejuvenescimento era causado de forma (des)natural deixando-o mais jovem dia após dia. Chegamos ao paradoxo mais óbvio do filme: quanto mais novo, mais velho.
Saí do cinema bem confuso bom essas informações acrescidas de todos os julgamentos que tinha em minha cabeça sobre o filme em si. Hoje, tomado de uma organização melhor desse conjunto de conhecimentos e conclusões, passo a me cobrir com a sorte e consolidar de toda vez que quando rejuvenescemos, envelhecemos.
No decorrer da trama, a personagem de Brad Pitt vai ganhando vivacidade física com o passar do tempo: de careca aos cabelos acinzentados e então um penteado de um dourado vivo; de canelas secas e sem vigor a coxas mais complacentes até as pernas segurar e obstinadas. Mas não temos, em contrapartida, uma mente correndo no mesmo inverso. Com cada nova experiência, temos uma mente cada vez menos curiosa e cada vez mais sábia. Button envelhece a medida que fica mais novo.

O autor do conto que deu origem ao filme, F. Scott Fitzgerald, tirou a idéia da célebre frase de Mark Twain ”A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18“. O grande desejo dessa frase é justamente ajustar o erro do tempo que melhora a cabeça e definha o resto, mas esquece que nada é pra sempre. Fitzgerald não se esqueceu disso e nem a patota que meteu a loucura de levar esse mesmo conto pra tela grande.

Realmente existe uma defasagem entre o auge do corpo e da mente, mas independente de qualquer um dos andamentos da vida (nossa ou de Button), o resultado final é sempre o mesmo (assim como pudemos ver no filme um corpo novo de garoto lidando com uma mente já gasta após cerca de oitenta anos de uso). Por diversas vezes já dito, exemplificado e comprovado, “a vida é uma parábola”; a gente pode até não saber os pontos de ascensão, ápice e declínio, mas ela sempre vai se achar com pontos no mesmo patamar (a mesma impaciência da criança e do velho, a mesma teimosia, vagarosidade no andar, no raciocínio, a mesma inocência na infância e na senilidade). Pra chutar o balde de vez, estamos todos fadados a ir pro saco. Estamos condenados todos a uma única maldição irremediável que é a morte certa (de que acontecerá) e por demais duvidosa (onde-como-quando-por que-pra onde ir depois).
Pensamos ser algo terrível, mas, assim como a vida é tão obvia que a gente complica-a, a morte está tão na cara que a gente a evita e, com isso, acabamos evitando a própria vida. Conhecer nossas limitações (assim como Button as conhecia bem, do início ao fim), aproveitar nossa vida como ela deve ser aproveitada (com um bom conhecimento de si, assim como Button conhecia-se – e não um conhecimento científico, mas sim aquele algo mais que não precisa necessariamente ser explicado, mas que faz todo o sentido) e, ficando mais velho ou mais novo, “O mais importante é que a nossa emoção sobreviva”.
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