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O Curioso Caso de Benjamin Button 2 (ou “outro olhar”)

Fevereiro 3, 2009

 

O que te faz rejuvenescer?

 

Todos temos fragmentos de Benjamin Button incrustados em nossas vidas, almas ou o que quer que seja que faz nosso mundo girar – do começo ao fim.

 

Claro que a primeira impressão que temos de ter é que rejuvenescer não é retroagir, assim como se fazia o relógio que contava o tempo num avesso esperançoso de mudar determinadas realidades. Tendo isso pensado, podemos retornar à pergunta (voltar a um determinado ponto que não tinha continuação): O que te faz rejuvenescer? – Insisto na questão para o bel desenvolvimento de nossos pensamentos.

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No caso de B. Button, o rejuvenescimento era causado de forma (des)natural deixando-o mais jovem dia após dia. Chegamos ao paradoxo mais óbvio do filme: quanto mais novo, mais velho.

 

Saí do cinema bem confuso bom essas informações acrescidas de todos os julgamentos que tinha em minha cabeça sobre o filme em si. Hoje, tomado de uma organização melhor desse conjunto de conhecimentos e conclusões, passo a me cobrir com a sorte e consolidar de toda vez que quando rejuvenescemos, envelhecemos.

 

No decorrer da trama, a personagem de Brad Pitt vai ganhando vivacidade física com o passar do tempo: de careca aos cabelos acinzentados e então um penteado de um dourado vivo; de canelas secas e sem vigor a coxas mais complacentes até as pernas segurar e obstinadas. Mas não temos, em contrapartida, uma mente correndo no mesmo inverso. Com cada nova experiência, temos uma mente cada vez menos curiosa e cada vez mais sábia. Button envelhece a medida que fica mais novo.

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O autor do conto que deu origem ao filme, F. Scott Fitzgerald, tirou a idéia da célebre frase de Mark Twain ”A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18. O grande desejo dessa frase é justamente ajustar o erro do tempo que melhora a cabeça e definha o resto, mas esquece que nada é pra sempre. Fitzgerald não se esqueceu disso e nem a patota que meteu a loucura de levar esse mesmo conto pra tela grande.

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Realmente existe uma defasagem entre o auge do corpo e da mente, mas independente de qualquer um dos andamentos da vida (nossa ou de Button), o resultado final é sempre o mesmo (assim como pudemos ver no filme um corpo novo de garoto lidando com uma mente já gasta após cerca de oitenta anos de uso). Por diversas vezes já dito, exemplificado e comprovado, “a vida é uma parábola”; a gente pode até não saber os pontos de ascensão, ápice e declínio, mas ela sempre vai se achar com pontos no mesmo patamar (a mesma impaciência da criança e do velho, a mesma teimosia, vagarosidade no andar, no raciocínio, a mesma inocência na infância e na senilidade). Pra chutar o balde de vez, estamos todos fadados a ir pro saco.  Estamos condenados todos a uma única maldição irremediável que é a morte certa (de que acontecerá) e por demais duvidosa (onde-como-quando-por que-pra onde ir depois).

 

Pensamos ser algo terrível, mas, assim como a vida é tão obvia que a gente complica-a, a morte está tão na cara que a gente a evita e, com isso, acabamos evitando a própria vida. Conhecer nossas limitações (assim como Button as conhecia bem, do início ao fim), aproveitar nossa vida como ela deve ser aproveitada (com um bom conhecimento de si, assim como Button conhecia-se – e não um conhecimento científico, mas sim aquele algo mais que não precisa necessariamente ser explicado, mas que faz todo o sentido) e, ficando mais velho ou mais novo, “O mais importante é que a nossa emoção sobreviva”.

 

o que te faz rejuvenescer?]

Tu ainda não respondeu: o que te faz rejuvenescer?

O Curioso Caso de Benjamin Button

Janeiro 28, 2009

 

Comecei reparando na parte técnica do filme. A atuação do Brad Pitt começou de modo sensacional e me deixava desconcertado vê-lo fazer, tudo junto e misturado, a cara de um senhor definhado por inúmeras dificuldades físicas que costumam nos acompanhar no fim da vida e as caretas fascinantes de uma curiosidade infantil pelas novas experiências da vida (atuação mesmo, e não só a ótima maquiagem ou os efeitos especiais responsáveis por criar um Pitt velho e novo ao mesmo tempo).

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Fiquei também estabelecendo mentalmente as diferenças, das básicas às mais sutis, na direção do David Fincher que resolveu abandonar (pelo menos por hora, já que chegou a declarar que preferia ter um cigarro apagado em seu olho a dirigir uma continuação de Seven) projetos mais conturbados e contestadores pra cair de cabeça em um trabalho mais sóbrio e filosófico. Foi logo na fonte e agarrou um conto do sóbrio e filosófico F. Scott Fitzgerald (escritor americano dos anos 20 e 30). Daí que comecei a refletir sobre a escrita desse autor do maravilhoso “O Grande Gatsby” na adaptação de “O Curioso Caso de Benjamin Button“, a nova sensação dos cinemas tupiniquins.

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Mesmo com o roteiro de Eric Roth (o mesmo de Forrest Gump), a essência de Fitzgerald está ali e, pra uma história que tinha tudo para ser feita, recheada e coberta de açúcar, Fincher não amarela e faz um ótimo trabalho mantendo a delicadeza e contemplação, mas deixando todo o contexto de reflexões e questionamentos do expoente da chamada “geração perdida” da literatura americana.

 

Foi lindo de ver e deslizar junto com a trama de praticamente três horas.  Foi lindo me sentir incomodado, repensando minha escrita e todas as teorias da velha e sagrada disputa “metafísica VS niilismo”. Foi delicioso analisar e concluir que esse pode não ser um ótimo filme, mas é um filme ótimo. Eu explico.

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Nessa atual correria de palpites e apostas para o Oscar 2009, a película estrelada também pela estrela da vez, Cate Blanchett, se encontrou numa situação complicada: recebeu dezenas de indicações para o Globo de Ouro e para o prêmio do Sindicato dos Atores e a Associação de Produtores de Cinema e TV Americana (festas que antecedem o principal prêmio da academia e que servem de “termômetro” para especulações) e não recebeu uma estatuetazinha sequer (e ainda é um dos líderes de indicações ao Oscar). Creio que “The Curious Case of Benjamin Button” seja muito bom pelo todo e pela carga de idéias que cancã ao decorrer da história, Mas que em termos de prêmios isolados, perde mesmo para seus concorrentes (falando dos prêmios principais – Slumdog Milionaire realmente desponta como melhor filme e Sean Penn já tem uma mão no careca de ouro deste ano). Por ter também esse aspecto sentimental, pode fazer com que alguns torçam o nariz e não sejam pegos de jeito por conta desse bloqueio a filmes mais contemplativos, enquanto outros que se ludibriam com romances podem não captar as nuances de pensamentos justamente por se verem ansiosos com o desenrolar da vida amorosa das personagens.

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Com qualquer uma dessas opções, fica a dica para a verdadeira gana do filme, ou seja, as toneladas de informações que recebemos sem dó sobre a vida, a morte, as esperas e os supetões, chegando aos difíceis tratamentos que damos aos relacionamentos diversos (me segurei o texto todo pra não aprofundar essas idéias justamente por não saber quem já assistiu o filme ou não, pois o que conta mesmo não é a minha opinião, mas sim o meu sucesso em conseguir fazer com que, ao verem o filme, consigam captar tudo ou mais que eu absorvi).

 

Saí da sala escura completamente atordoado e com a completa certeza de que eu teria alguma sequela se forçar tanto o cérebro, ou então teria alguma epifania linda que transformaria meu jeito de ver a vida. Mas claro que já estou bem mais recomposto do baque, afinal, “nada é pra sempre, minha querida Daisy”. 

 

Obs: Com certeza não me aguentarei e colocarei outro post com comentários mais profundos aquém do filme em sí. Apareçam em breve para conferí-los.