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A Marvel nos anos 90 (Parte II)

Setembro 2, 2009

Marvelous:

O clássico dos clássicos

O clássico dos clássicos

Em 1994, o mundo dos quadrinhos se curvou perante a excelência da Marvels, mini-série em quatro edições de capa especial e trabalho primoroso. Escrito por Kurt Busiek e desenhado por Alex Ross, a série examina o começo do Universo Marvel através do olhar de um fotógrafo. A historia é permeada por questões como o medo, o fascínio e o preconceito da humanidade para com aqueles seres ‘estranhos’ que destruíam suas cidades, mas que lutavam por algo maior. As ilustrações de Ross foram instantaneamente colocadas na importância de clássicos e o realismo fotográfico deste trabalho imortalizou as quatro edições que ganharam uma versão encadernada em 2005. Em 1996, a DC Comics fez igual, só que diferente, lançando a série ‘O Reino do Amanhã’, com o mesmo primor nas pinturas de Alex Ross, mas contando um futuro apocalíptico para os heróis da DC. A série também tem uma qualidade fora do comum, mas nunca chegaria ao status que teve a Marvels.

Marvel VS DC:

No início era o sonho. Em 1996, os fãs de histórias em quadrinhos receberam o que foi chamada de ‘a notícia do século’. As duas editoras clássicas, Marvel Comics e DC Comics, fariam um crossover que envolveria os super-heróis mais queridos de ambas. Os próprios leitores (os americanos, claro) ficariam encarregados de votar no herói que sairia vitorioso em cada disputa. O frenesi era geral e cada nerd da década de 90 tinha seu palpite de quem enfrentaria quem e quais personagens ficariam com a glória da vitória. Mas o que era sonho…

pior não há

pior não há

…poderia virar uma baita frustração. Com desenhistas medianos e roteiro fraco, aparentemente sem propósito, foram poucas as páginas que, de fato, valiam a pena (o duelo entre o Homem-Aranha e o Superboy foi bem legal, ao contrário do quebra-pau entre Wolverine e Lobo, que ficou longe de superar as expectativas dos fãs). Arranjaram, como se não bastasse, a dimensão ‘Amálgama’, ocupada por bizarras mesclas entre os heróis e vilões (o Dark Claw, mistura de Batman e Wolverine, enfrenta o perigoso Hiena, emaranhado de Dentes-de-sabre com Coringa) e fizeram de uma baita oportunidade, o que eu chamaria de ‘o fiasco do século’.

Games:

Pode até parecer brincadeira de mau gosto, mas eu juro que já houve uma época (não muito distante) em que as pessoas (o que inclui crianças e adolescentes) não dependiam da informática. Antes de a Internet fazer parte de nosso dia-a-dia e as lan-houses estarem em cada esquina de cada cidade, nós tínhamos os arcades (o bom e velho fliperama) e as famigeradas ‘casas de fliper’, local onde a molecada fumava escondido e jogava fichas no Mortal Kombat e Street Fighter.

tudo começou aqui...

tudo começou aqui...

Em 1994, a Capcom lançou, em parceria com a Marvel Comics, o jogo de luta ‘X-Men – Children of the Atom’. A partir daquela data, você poderia comprar uma ficha por alguns centavos e escolher qualquer dos personagens disponíveis (dos X-Men Wolverine, Ciclope ou Homem de Gelo aos vilões como Magneto e Samurai de Prata). Começava ali a febre.

X-Men VS Street Fighter

X-Men VS Street Fighter

Em 95, o estilo incorporou todo o Universo Marvel e foi lançado o ‘Marvel Super Heroes’ que, além dos mutantes (ficaram Psylocke, Wolverine, Magneto e o Fanático ‘Juggernaut), agora contava com um ágil Homem-Aranha, um saltitante Capitão América, mais o Incrível Hulk e o Homem de Ferro. Mas ainda era pouco, muito pouco. A Capcom aproveitou o sucesso de seus jogos e concebeu o ‘filho perfeito’: X-Men VS Street Fighter (de 1996).

...passou por aqui...

...passou por aqui...

Além de colocar uma tonelada de personagens de ambos os títulos à disposição, o estilo de jogar escolhendo duplas era um atrativo genial, tornando os rounds mais longos e mais divertidos. A jogabilidade também ganhou novos patamares, podendo ser divertido com os Hadoukens e especiais duplos (quando os dois personagens atacavam juntos a causavam um puta estrago), mas que podia chegar a grandes estratégias de defesa e ataque, fechando combos complexos. Claro que no ano seguinte foi a vez do lançamento de ‘Marvel Super Heroes VS Street Fighter’, com a opção de escolher personagens no mundo Marvel e com a possibilidade de escolher, além das duplas, um ‘aliado’ (herói ou vilão que, ao apertar o botão específico, aparecia rapidamente para um golpe de ajuda).

...e qui já era clássico.

...e qui já era clássico.

Para finalizar, foi lançado em 1998 a sequência ‘Marvel Super Heroes VS Capcom’ em que, além de poder escolher entre um X-Men ou outro super-herói da Marvel, você poderia não só escolher um personagem do já clássico Street Fighter, como poderia pegar personagens tão clássicos quanto, do lado da Capcom, como Mega Man e Capitain Commando. Entrava para a história dos games a diversão garantida com os heróis da Marvel Comics (que, em 2000, lançou o jogo ‘Marvel Super Heroes VS Capcom 2 – A New Age of Heroes’ e…).

A Marvel nos anos 90 (Parte I)

Setembro 2, 2009

Minha vida de ‘colecionador de quadrinhos’ se deu bem no meio dos anos 90. De 1995 a 2002, montes de pilhas de revistinhas ficavam amontoadas embaixo da minha escrivaninha, organizadas por ordem de importância no mês. Eu comecei acompanhando os X-Men e estendi a leitura para as histórias do Homem-Aranha e terminei acompanhando todo o catálogo da Marvel, algumas coisas da Image, da Vertigo e até momentos interessantes da DC.

A poderosa

A poderosa

Claro que, na condição de colecionador, comprei bastante coisa antiga justamente pelo apreço, mas comecei a chafurdar esse passado pra citar os momentos mais interessantes da Marvel Comics nos anos 90, tempo áureo para a poderosa editora que completa 70 anos e para o meu lado colecionador-consumidor agressivo.

Os desenhistas:

Muitos dos traços mais talentosos dos anos 90 passaram pela Marvel. Jim Lee, considerado um dos maiores desenhistas de todos os tempos, desenhou os X-Men de 90 a 92. Já Todd McFarlane elevou a qualidade dos desenhos do cabeça-de-teia e muitos consideram sua passagem, uma das fases mais legais que rolaram nas páginas do Homem-Aranha. (Marc Silvestri desenhou alguns títulos mutantes e fez fama riscando as histórias do Wolverine, enquanto Rob Liefield (também) ilustrou títulos mutantes e ganhou adjetivo de desenhista exagerado quando esticou todos os músculos do Capitão América na saga ‘Heroes Reborn’. Ambos ganharam muita visibilidade nessa época e, junto com os dois primeiros, fundaram a Image Comics (pedra no sapato da Marvel nos primeiros anos).

contemplação 'clássica' de Jim Lee

contemplação 'clássica' de Jim Lee

Os filhos de peixe também deram sequência ao talento dos pais. Os irmãos Kubert, filhos do grande desenhista nos anos 40 e 50, Joe Kubert (também fundador da famosa ‘Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art’), dominaram o universo X-Men. Enquanto Andy (o mais novo) detalhava os conflitos do grupo de superdotados liderados pelo prof. Xavier, Adam (o mais velho) estava no controle da ferocidade do baixinho invocado, Wolverine. John Romita Jr. (filho de John Romita) desenhou diversos títulos nos anos 90, passando por Homem de Ferro, X-Men, Justiceiro, Homem-Aranha (ganhando fama com o mesmo herói que seu pai foi conhecido) e deixando sua marca na histórica mini-série ‘Demolidor, o Homem sem Medo’, escrita por Frank Miller.

o 'cabeça-de-teia' por Todd McFarlane

o 'cabeça-de-teia' por Todd McFarlane

E ainda teve muito mais. A era foi muito produtiva também para os brasileiros Mike Deodato Jr. e Roger Cruz. Deodato ganhou muitos elogios com seu trabalho em Thor, Hulk, Os Vingadores, Elektra e hoje é considerado um desenhista-referência. Roger Cruz podia ser visto dividindo trabalho e estilo com Joe Madureira. Ambos eram bem requisitados naquele final de anos 90, quando a Marvel começou a flertar com o mangá (só lembrar dos desenhos mais quadrados e de cores chapadas da ‘Era do Apocalipse’). E por falar na saga…

Destinos insólitos e sagas marcantes:

Uma das coisas que a Marvel mais gosta de fazer (além de ganhar dinheiro) é subestimar o intelecto dos seus leitores. E pior que costuma dar certo. Se você acha que é só na era ‘Joe Quesada’ que sagas bizarras e completa distorção de histórias são empurradas goela abaixo para os fãs, ‘think again’.

Saga dos Clones

Saga dos Clones

Por tradição, o teioso Homem-Aranha parece sempre ser o mais prejudicado da ‘Saga dos Clones’ foi, com certeza, o período mais odiado pelos leitores nos anos 90. Depois de uma excelente temporada nas mãos de Todd McFarlane, a Marvel inventou que Peter Parker tinha um clone. A história rendeu boas vendas que fizeram a saga se arrastar por dois anos (94-96), tempo em que a Marvel tentou colocar a falecida Gwen Stacy de volta nas publicações, colocou pra rodar outro cabeça-de-teia chamado Aranha Escarlate (o clone Ben Reilly, que usava collant vermelho com um moletom azul por cima, estilizado com uma aranha grande na frente, um capuz na parte de tras e as mangas devidamente arrancadas), tentou a todo custo fazer com que os fãs voltassem a se identificar com o herói que fora cercado de problemas e dilemas e se via casado, com diploma e emprego fixo. A palhaçada só deixou os fãs mais putos e tudo culminou na volta do primeiro Duende Verde (que acreditava-se que estivesse morto) e na morte do Aranha Escarlate, provando, de uma vez por todas, que Parker é e sempre foi o verdadeiro Homem-Aranha.

Já no mundo mutante, ótimas sagas a dar com pau.

Wolverine perdendo o adamantium

Wolverine perdendo o adamantium

- Atrações Fatais – os X-Men vão atrás de um Magneto puto da vida que, no auge da fúria, arranca o adamantium do feroz Wolverine. Infelizmente veio o fiasco das histórias do canadense com garras de osso. Mas Xavier atacou fortemente o vilão e a coisa toda teve conseqüências pesadas.

- Um dos eventos mais importantes foi a ‘Era do Apocalipse’. Durante meses, as revistinhas dos X-Men mostravam uma realidade alternativa, criada após a viagem do mutante Legião (filho do prof. Xavier) ao passado que, na tentativa de assassinar Magneto, acaba matando seu careca progenitor. A cagada alterou toda a realidade, momento em que o planeta se vê dominado pelo ‘mutante mais antigo’ Apocalipse e o destino de todos os mutantes estava do avesso. Magneto vira um líder rebelde e se casa com uma Vampira de cabelo curto. Dentes-de-sabre é um dedicado seguidor do casal, enquanto o fiel Ciclope agora é um lacaio do Sinistro, um dos ‘Quatro Cavaleiros do Apocalipse’ (espécie de generais que comandam os territórios controlados pelo En Sabah Nur). Wolverine só tem uma mão e corre por fora com sua amada Jean Grey. A saga contava justamente a luta maniqueísta dos rebeldes contra a tirania daquele que prega ‘a sobrevivência dos mais fortes’. O sucesso foi grande (tanto que tivemos uma ‘Era do Apocalipse 2’ em 2005) e muitos personagens da saga temporária foram para a realidade que se seguiu.

o início da saga do 'Massacre'

o início da saga do 'Massacre'

- Depois de atacar Magneto, Xavier acabou absorvendo parte da psique do vilão. A ‘junção’ das duas mentes criou a entidade chamada Massacre. O poder infinito do gigante vilão saiu dos quadrinhos mutantes e chegou à toda linha da Marvel (incluindo Homem-Aranha e Hulk) só foi detido após o suposto sacrifício dos Vingadores e do Quarteto Fantástico.

- Quando o vilão Massacre é enviado para outra dimensão (pelo garoto Franklin Richards, filho do Reed Richards, o Sr. Fantástico), os Vingadores são considerados mortos, juntamente com o Quarteto Fantástico. A Marvel então chama desenhistas consagrados (dentre outros, Jim Lee e Rob Liefield) para desenhar as aventuras vividas pelos dois grupos na tal outra dimensão.

A interatividade que a Marvel propunha nesse momento era o que moldaria a cara da editora no novo milênio. Mas o que mais surpreendeu os fãs de quadrinhos foi o passado.

Amanhã, a parte II dos momentos mais legais da Marvel Comics nos anos 90.