Arquivo da categoria ‘Modesta opinião’

Kate Beckinsale é a mulher mais sexy do mundo

Outubro 8, 2009

A beleza britânica está de volta e essa beleza tem nome: Kate Beckinsale.

A revista americana Esquire colocou Kate no topo da lista como a ‘mulher mais sexy do mundo’, posto que já foi ocupado por Halle Berry, Charlize Theron e Scarlett Johansson.

Kate Beckinsale na 'Esquire' deste mês

Kate Beckinsale na 'Esquire' deste mês

Seus trabalhos nunca chegaram a me chamar a atenção, mas sua feição sempre me remeteu à beleza clássica de Hollywood, pensamento que se consolidou com sua participação – até que boa –  em O Aviador.

Além dos atributos óbvios, a atriz detém aquele tipo raro de sorriso que leva uma carga de inocência e de malícia ao mesmo tempo (vem daí a delícia de se olhar um sorriso assim, puro e levado no mesmo esticar de lábios). Fora seu sotaquezinho inglês que amolece qualquer sujeito.

Taí a dica.

Até o momento.

Agosto 26, 2009

Lista, listinha, listosa, listeca.

Ainda estamos em agosto do ano de mil novecentos e 2009 de nosso senhor e eu já vou colocar aqui uma rápida relação das cinco canções mais ‘tchap tchura’ que eu ouvi até a presente data (sem ordem de importância).

E.M.I.C.I.D.A – É Necessário Voltar ao Começo (Pra Quem já Mordeu Cachorro por Comida, Até que Eu Cheguei Longe)

e.m.i.c.id.a

e.m.i.c.id.a

Direto da Zona Norte vem o freestyle mais potente de Sampa. Emicida abre seu debute com a participação da banda Projeto Nave, que faz uma jam de puro improviso (voz, rimas, batera sensata,guitarra sutil, e trompete enigmático). Desabafo paulistano em melodia e palavras.

Pink Mountaintops – Axis Thrones of Love (Outside Love)

Stephen McBean

Stephen McBean

Pink Mountaintops – Axis: Thrones Of Love

Melodia e densidade exata. Essa canção abre o mais recente álbum da banda canadense e, logo na primeira audição, fui tomado de algum sentimento bom e o refrão fica reverberando na minha cabeça há meses, juntamente com a bateria sobrenatural.

Céu – Bubuia (Vagarosa)

Maria do Céu

Maria do Céu

Céu – Bubuia

O arranjo é sensual, o fraseado é composto de ótimas rimas e a voz da pequenina Céu continua delicada e cheia de feitiço. A faixa do último álbum da cantora ainda conta com a participação da Thalma de Freitas que dá ainda mais tesão em ouvir a constante viagem que me deixa na fissura.

The Dead Weather – I Cut Like a Bufallo (Horehound)

Jack e Alison

Jack e Alison

The Dead Weather – I Cut Like A Buffalo

A banda é constantemente anunciada como ‘o mais novo projeto de Jack White’, mas o groove dessa música é, em sua maioria, graças ao tecladinho infernal de Den Fertita (do Queens of the Stone Age). Som extremamente dançante e de engasgos débeis entre os berros de “you know i look like a woman, but i cut like abufallo”. Bom demais pra não entrar na lista.

Caetano Veloso – A Cor Amarela (Zii e Zie)

a banda Cê e seu Caetano

a banda Cê e seu Caetano

Caetano Veloso – A Cor Amarela

Swing e a confissão direta da tara por uma bunda vestida num biquini amarelo. Caetano está abraçando o nipe ‘tiozão lifestyle’ querendo rejuvenescer seu som (iniciado no controverso ‘Cê’). Essa música, tirada do Zii e Zie, exibe uma liberdade e simplicidade de dar gosto. Se você pensa em abraçar a “boa-bagaceira”, aprenda com o titio Veloso.

E que venha o resto de2009!

Das pequenas preocupações da vida…

Junho 24, 2009

Tendencioso ou não (e eu acho que sim), o título foi criado e propagado em tudo que é lugar – inclusive naquelas televisõezinhas do metrô: “Os blogs nos fazem escrever mais, mas pior”.

Esta frase foi atribuída ao escritor português e vencedor do Prêmio Nobel José Saramago, que também mantém um blog no site de sua fundação. A tal frase também foi amplamente discutida na rede, principalmente no Twitter. Dezenas de usuários indignados com a afirmação ‘descabida’ de uma pessoa tão respeitada justamente pela escrita. Como poderia, justo o novo blogueiro José Saramago, denegrir esta ferramenta tão útil e que já se mostrou tão competente ao longo dos anos!? – porque deu na telha, ora bolas.

José Saramago

José Saramago

Não precisamos e nem vamos aprofundar se houve ou não esse aproveitamento por parte de quem publicou tal chamada porque a discussão aqui é sobre esse seu pobre ego ferido. Esse ego que, assim como o amor, é cego, surdo, mudo, burro e esclerosado.

Isso porque a gente adora tomar as dores do mundo e ficar puto com coisas das pequenas preocupações da vida. Não acha não? Tá chateado com o que eu disse? – fica não, baiano. Venha cá, baiano, venha.

Não precisa ficar bravo com generalizações não. Mesmo se a frase fosse proferida daquela forma seca, seria uma opinião generalizada, e não uma declaração de guerra contra os blogs. Take it easy, my brother blogueiro. Assim como, se alguma celebridade disser que o futebol é legal, mas não faz tão bem pro físico nem pro coração, você não verá uma passeata de protesto dos jogadores e dirigentes contra “uma afirmação absurda contra um esporte tão querido do nosso Brasil de meu deus”. E segure esse ego danadinho.

"foi você!"

"foi você!"

Aposto e ganho como o Saramago nunca leu o teu blog. Ele certamente nunca deixou um comentário depreciativo em algum post teu. Então por que a bronca? Por que se martirizar e ficar cutucando esse ego bobo em vez de realmente por o p*# na mesa e falar “foda-se a opinião do Saramago. Eu cuido bem do meu blog e mais ainda dos textos que publico nele”. Assim como acharam uma resposta ótima a onda de ataques sobre a queda do diploma de jornalista, em que a situação atual não exclui a responsabilidade de se escrever bons textos com boas bagagens, a opinião do Saramago também não exclui a quantidade boa de ótimos blogs ao redor do planeta, com as mais variadas línguas e com ótimos conteúdos para as mais variadas visões.

Então continue cuidando de seu blog e de sua escrita, que o Saramago continua cuidando do blog dele e da escrita dele. E assim ficamos todos de bem e escrevendo mais, mas melhor.

Três minutos e tá pronto!

Abril 15, 2009

Meu amigo Pedro Jansen escreveu sobre a “Música-miojo e a mulher pronta para a refeição em três minutos“, ou seja, sobre aquelas canções que tu usa propositalmente para, num encontro, deixar a tetéia no ponto certo pra que tudo dê certo (de acordo com as tuas perspectivas, naturalmente).

E já que nosso querido Rafael Campos defende a música apenas no pré-nheco-nheco,  a música-miojo acaba sendo das armas mais poderosas pra que ambos acabem tendo um encontro bem delicinha.

 

 

Afinal, a idéia é fazer tudo por elas.

Afinal, a idéia é fazer tudo por elas.

 

 

 

Não vou me estender muito, afinal, no post em questão já está bem explicado do que se trada a filosofia da música-miojo e temos até excelentes exemplos de como deixar uma pequena toda empolgadinha para largar o vinho de lado e cair contigo na brincadeira (a tal lista vai do mestre das “fuck songs” Marvin Gaye e sua Let’s Get It On até More Than Words, a canção mais enganadora e deturpada de todo o universo imaginável). Não vou me estender porque a minha idéia hoje é complementar esse post com mais algumas obras concebidas (concientemente ou não) para o ato de deixar o caminho mais tranquilo.

 

 - Barry White: 

 

A lábia de poucos...

A lábia de poucos...

O cara tem a cara de malandro, a voz grave de “arrupiar” qualquer boneca, e ainda me faz baladas românticas com o trio feminino Love Unlimited e, posteriormente, com a Love Unlimited Orchestra, ambas (claro) com o nome criado pelo próprio White. Colocar o som desse cara pode ser perigoso, pois vai depender muito da companhia entender que o que importa mesmo é todo esse contexto (porque o som em sí fica bem no meio-fio entre o sexy e o brega-cafona-nãometoca). Mas se tu tiver com a gata certa, ah…

 

 - Tony Bennett:


Charme herdado...

Charme herdado...

 

O cara canta aquele jazz limpo, classudo. Tudo o que ele fala é completamente entendível e sua pose é de uma confiança única. Carrega consigo toda a tradição ítalo-americana e tem aquele ar de ser amigo prestigiado da máfia italiana, todo ao nipe Frank Sinatra. Coisa fina de se colocar para fazer aquela dancinha lenta, abraçadinho, cabeça no ombro, olhares derradeiros e tudo o mais de se pode aproveitar enquanto roda a sala ao som de Tony Bennett.

 

 - Djavan:

 

Joselito que deu certo...

Joselito que deu certo...

Esse alagoano é especialista em escrever letras que vão do nada a lugar algum e mesmo assim a mulherada adora! Colocar Djavan pra rolar é fazer com que os hormônios femininos trabalhem sem que ela perceba. E é uma ótima trilha sonora pra se bater aquele papo mais intimista e “agressivo”, uma vez que ninguém vai prestar atenção nas letras alopradas e enfeitadas por bons arranjos afrodizíacos. Djavan nos falantes é sinal claro, pra ambas as partes, de que algo vai definitivamente acontecer.

 

 - Portishead:


Podem negar até o fim da vida, mas esse trio só fazia música pensando naquilo. Seus álbuns são um verdadeiro arsenal de armas de sedução. Dar play em um Portishead é apelar geral. Dar play pra rodar um Portishead é esquecer completamente do autruísmo. Play em Portishead, num encontro a dois, é, sem dúvida alguma, egoísmo em sua melhor forma.

[e, claro, fica o espaço dos comentários aberto pra mais dicas sobre músicas pertinentes pra arte de seduzir, xavecar, paquerar e todos os sinônimos que possam estar disponíveis]

O Curioso Caso de Benjamin Button 2 (ou “outro olhar”)

Fevereiro 3, 2009

 

O que te faz rejuvenescer?

 

Todos temos fragmentos de Benjamin Button incrustados em nossas vidas, almas ou o que quer que seja que faz nosso mundo girar – do começo ao fim.

 

Claro que a primeira impressão que temos de ter é que rejuvenescer não é retroagir, assim como se fazia o relógio que contava o tempo num avesso esperançoso de mudar determinadas realidades. Tendo isso pensado, podemos retornar à pergunta (voltar a um determinado ponto que não tinha continuação): O que te faz rejuvenescer? – Insisto na questão para o bel desenvolvimento de nossos pensamentos.

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No caso de B. Button, o rejuvenescimento era causado de forma (des)natural deixando-o mais jovem dia após dia. Chegamos ao paradoxo mais óbvio do filme: quanto mais novo, mais velho.

 

Saí do cinema bem confuso bom essas informações acrescidas de todos os julgamentos que tinha em minha cabeça sobre o filme em si. Hoje, tomado de uma organização melhor desse conjunto de conhecimentos e conclusões, passo a me cobrir com a sorte e consolidar de toda vez que quando rejuvenescemos, envelhecemos.

 

No decorrer da trama, a personagem de Brad Pitt vai ganhando vivacidade física com o passar do tempo: de careca aos cabelos acinzentados e então um penteado de um dourado vivo; de canelas secas e sem vigor a coxas mais complacentes até as pernas segurar e obstinadas. Mas não temos, em contrapartida, uma mente correndo no mesmo inverso. Com cada nova experiência, temos uma mente cada vez menos curiosa e cada vez mais sábia. Button envelhece a medida que fica mais novo.

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O autor do conto que deu origem ao filme, F. Scott Fitzgerald, tirou a idéia da célebre frase de Mark Twain ”A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18. O grande desejo dessa frase é justamente ajustar o erro do tempo que melhora a cabeça e definha o resto, mas esquece que nada é pra sempre. Fitzgerald não se esqueceu disso e nem a patota que meteu a loucura de levar esse mesmo conto pra tela grande.

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Realmente existe uma defasagem entre o auge do corpo e da mente, mas independente de qualquer um dos andamentos da vida (nossa ou de Button), o resultado final é sempre o mesmo (assim como pudemos ver no filme um corpo novo de garoto lidando com uma mente já gasta após cerca de oitenta anos de uso). Por diversas vezes já dito, exemplificado e comprovado, “a vida é uma parábola”; a gente pode até não saber os pontos de ascensão, ápice e declínio, mas ela sempre vai se achar com pontos no mesmo patamar (a mesma impaciência da criança e do velho, a mesma teimosia, vagarosidade no andar, no raciocínio, a mesma inocência na infância e na senilidade). Pra chutar o balde de vez, estamos todos fadados a ir pro saco.  Estamos condenados todos a uma única maldição irremediável que é a morte certa (de que acontecerá) e por demais duvidosa (onde-como-quando-por que-pra onde ir depois).

 

Pensamos ser algo terrível, mas, assim como a vida é tão obvia que a gente complica-a, a morte está tão na cara que a gente a evita e, com isso, acabamos evitando a própria vida. Conhecer nossas limitações (assim como Button as conhecia bem, do início ao fim), aproveitar nossa vida como ela deve ser aproveitada (com um bom conhecimento de si, assim como Button conhecia-se – e não um conhecimento científico, mas sim aquele algo mais que não precisa necessariamente ser explicado, mas que faz todo o sentido) e, ficando mais velho ou mais novo, “O mais importante é que a nossa emoção sobreviva”.

 

o que te faz rejuvenescer?]

Tu ainda não respondeu: o que te faz rejuvenescer?

O Curioso Caso de Benjamin Button

Janeiro 28, 2009

 

Comecei reparando na parte técnica do filme. A atuação do Brad Pitt começou de modo sensacional e me deixava desconcertado vê-lo fazer, tudo junto e misturado, a cara de um senhor definhado por inúmeras dificuldades físicas que costumam nos acompanhar no fim da vida e as caretas fascinantes de uma curiosidade infantil pelas novas experiências da vida (atuação mesmo, e não só a ótima maquiagem ou os efeitos especiais responsáveis por criar um Pitt velho e novo ao mesmo tempo).

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Fiquei também estabelecendo mentalmente as diferenças, das básicas às mais sutis, na direção do David Fincher que resolveu abandonar (pelo menos por hora, já que chegou a declarar que preferia ter um cigarro apagado em seu olho a dirigir uma continuação de Seven) projetos mais conturbados e contestadores pra cair de cabeça em um trabalho mais sóbrio e filosófico. Foi logo na fonte e agarrou um conto do sóbrio e filosófico F. Scott Fitzgerald (escritor americano dos anos 20 e 30). Daí que comecei a refletir sobre a escrita desse autor do maravilhoso “O Grande Gatsby” na adaptação de “O Curioso Caso de Benjamin Button“, a nova sensação dos cinemas tupiniquins.

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Mesmo com o roteiro de Eric Roth (o mesmo de Forrest Gump), a essência de Fitzgerald está ali e, pra uma história que tinha tudo para ser feita, recheada e coberta de açúcar, Fincher não amarela e faz um ótimo trabalho mantendo a delicadeza e contemplação, mas deixando todo o contexto de reflexões e questionamentos do expoente da chamada “geração perdida” da literatura americana.

 

Foi lindo de ver e deslizar junto com a trama de praticamente três horas.  Foi lindo me sentir incomodado, repensando minha escrita e todas as teorias da velha e sagrada disputa “metafísica VS niilismo”. Foi delicioso analisar e concluir que esse pode não ser um ótimo filme, mas é um filme ótimo. Eu explico.

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Nessa atual correria de palpites e apostas para o Oscar 2009, a película estrelada também pela estrela da vez, Cate Blanchett, se encontrou numa situação complicada: recebeu dezenas de indicações para o Globo de Ouro e para o prêmio do Sindicato dos Atores e a Associação de Produtores de Cinema e TV Americana (festas que antecedem o principal prêmio da academia e que servem de “termômetro” para especulações) e não recebeu uma estatuetazinha sequer (e ainda é um dos líderes de indicações ao Oscar). Creio que “The Curious Case of Benjamin Button” seja muito bom pelo todo e pela carga de idéias que cancã ao decorrer da história, Mas que em termos de prêmios isolados, perde mesmo para seus concorrentes (falando dos prêmios principais – Slumdog Milionaire realmente desponta como melhor filme e Sean Penn já tem uma mão no careca de ouro deste ano). Por ter também esse aspecto sentimental, pode fazer com que alguns torçam o nariz e não sejam pegos de jeito por conta desse bloqueio a filmes mais contemplativos, enquanto outros que se ludibriam com romances podem não captar as nuances de pensamentos justamente por se verem ansiosos com o desenrolar da vida amorosa das personagens.

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Com qualquer uma dessas opções, fica a dica para a verdadeira gana do filme, ou seja, as toneladas de informações que recebemos sem dó sobre a vida, a morte, as esperas e os supetões, chegando aos difíceis tratamentos que damos aos relacionamentos diversos (me segurei o texto todo pra não aprofundar essas idéias justamente por não saber quem já assistiu o filme ou não, pois o que conta mesmo não é a minha opinião, mas sim o meu sucesso em conseguir fazer com que, ao verem o filme, consigam captar tudo ou mais que eu absorvi).

 

Saí da sala escura completamente atordoado e com a completa certeza de que eu teria alguma sequela se forçar tanto o cérebro, ou então teria alguma epifania linda que transformaria meu jeito de ver a vida. Mas claro que já estou bem mais recomposto do baque, afinal, “nada é pra sempre, minha querida Daisy”. 

 

Obs: Com certeza não me aguentarei e colocarei outro post com comentários mais profundos aquém do filme em sí. Apareçam em breve para conferí-los.

Eva mendes é a mais desejada e a nossa Alessandra Ambrósio, a sexta!

Janeiro 21, 2009

 

 

Hum...justo.

Hum...justo.

 

 

 

Ah mudeusu!

Ah mudeusu!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que?
Tu queria um texto falando, explicando e opinando?
Ah…e precisa?

Why So Serious…?

Janeiro 13, 2009

Este post está completamente destituído de juízo de valor quanto o certo e o errado na história que vem a seguir.

Realmente não pude ver todos os filmes que estavam indicados ao Globo de Ouro deste ano e nunca tive nenhum tipo de vontade de discutir o embróglio entre críticos e cinéfilos sobre o verdadeiro mérito ou a falsa comoção do público no que se refere a Heath Ledger e suas conquistas de prêmios pela atuação do personagem Coringa no filme Batman – O Cavaleiro das Trevas [falsa comoção no sentido de criar um burburinho sobre um talento superestimado por conta de sua prematura e surpresa morte] . Mas, para todos que torciam contra,a favor, ou que nunca quiseram se manifestar, a bolinha d’ouro desse ano é dele. 

 

O Coringa ainda dá o que falar

O Coringa ainda dá o que falar

O que vale dizer [ou repetir] é que o ator australiano realmente criou um novo Coringa nas telas, apagando o esteriótipo caricato [e igualmente excelente] de Jack Nicholson e enchendo o maior inimigo do homem-morcego de tiques e filosofias. O cara-pintada que vimos no último filme [que se arrebentou de ganhar dinheiro com ajuda de uma forte campanha viral apoiada justamente na curiosidade de como seria o novo Coringa] transborda uma perturbação ue rendeu diversos elogios.

Mas eu não vi no cinema um louco-varrido-psicótico como taxaram em milhares de conversas que vi e ouvi. Heath Ledger criou calafrios justamente por expor um personagem extremamente humano, apontando pra sua cara e dizendo “olha o que vocês, em conjunto, são capazes de fazer. Olhem para mim e vejam a sí proprios”. Além disso, me impressionou a lucidez do “monstro” que tacou o puteiro geral em Gothan City. O principal vilão da trama era dotado de uma lucidez superior a de todos os outros personagens juntos.

O Coringa de O cavaleiro das Trevas sabia exatamente o que queria, sabia exatamente quais eram seus ideais e sabia como botar tudo de cabeça pra baixo. Era um anarcoqualquercoisa que tinha tudo traçado em sua mente…”perturbada”…enquanto víamos um Batman travando sua eterna luta filosófica e/ou espiritual e/ou ética de continuar [ou não] a defender Gothan, de contuar [ou não] vestindo o manto negro, de continuar [ou não] sendo taxado de herói ou vilão. O comissário Gordon se mostrou convicto de sua moralidade, mas exitava sempre em burlar ou não a lei burocrática para servir a ordem e tínhamos um promotor incorruptível que, quando entra pelo cano, vira um sociopata abiloldo assassino em série sem qualquer equilíbrio e dissernimento.

Ontem, na entrega do prêmio, o diretor Christopher Nolan recebeu troféu em nome do falecido ator, que foi aplaudido de pé por todos no recinto [claro que nunca saberei se tal ato aconteceu por sineridade ou para seguir as regras de etiqueta]. Abaixo, o vídeo do momento da entrega:

Obs: a mãe de Heath Ledger declarou à revista People que o Globo de Ouro póstumo ficará com a filha do ator, a pequena matilda, de três anos de idade.

 

A pequena Matilda

A pequena Matilda

Quem é o violento? (Parte III)

Dezembro 2, 2008

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

 

Ambos os filmes são obras primas do cinema e corretamente classificados de Cult. Já a sociedade como um todo sempre aponta o dedo para encontrar bodes expiatórios de suas falhas. O homem já possui a violência dentro de si e isso virá a tona independente de algo que ele veja ou não. Cinema e outras artes não são influenciadores de nada, mas sim apenas faísca que desperta o que se tem de mais profundo dentro de cada mente.

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Censurar, reclassificar, recriminar ou reclamar de violência em demasia em qualquer das artes (o que hoje em dia também inclui Internet, games e quadrinhos) é um tanto quanto prematuro e inválido, uma vez que esses meios não são dissipadores de violência, mas sim de informação que cada um deve assimilar de acordo com seus repertórios de vida e suas convicções.

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Mais interessante e engraçado seria, ao invés de censurar e criticar expressões artísticas que incomodam e provocam como acontece com os filmes citados, poderíamos censurar e criticar a nós mesmos, que fazemos questão de enxergar só o raso e não a subjetividade encantadora que essas obras carregam. Até porque, sem a reflexão em nossas vidas, sem as artes em nossas vidas, continuaremos a nos atacar e a nos violentar, mas um retrocesso começará a acontecer até que acabaremos num futuro não muito distante, saindo de grutas úmidas com clavas rudimentares nas mãos pra procurar animais pequenos e suculentos para saciar nossa fome e, além disso, continuaremos a esmagar crânios de nossos companheiros de caça para saciar nossa sede. A sede de violência gratuita e desmedida.

Quem é o violento? (Parte II)

Dezembro 2, 2008

O cinema já retratou diversas formas de violência em diversos estágios e de diversas maneiras, mas dois desses filmes chamam muita atenção pela polêmica criada e pelo título de Cult que receberam.

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Em 1971, o diretor Stanley Kubrick lançou seu filme Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), baseado no livro homônimo do escritor Anthony Burgess. O filme se tornou um clássico e hoje é peça fundamental na coleção de qualquer cinéfilo de plantão. Na época em que foi lançado, o filme foi tachado de absurdo e impróprio, pois continha cenas muito fortes de violência e erotismo.

No final do século passado, outro filme ganhou notoriedade pela maneira com que mostrava a violência, exaltando-a e criando discussões. Clube da Luta (Fight Club – 1999) foi dirigido por David Fincher e também baseado em livro homônimo do escritor Chuck Palahniuk. Este filme, ao ser lançado, chegou a receber o apelido carinhoso de “Laranja Mecânica dos anos 90”.

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Tivemos na década de 70 uma sociedade hipócrita e cega. Na década de 80, 90 e nos dias de hoje, no tão sonhado novo milênio, temos a mesma sociedade hipócrita e cega. Uma sociedade extremamente violenta que não mede esforços pra conseguir o que quer, atacando outros física e moralmente. Uma sociedade enganada por seus governantes, condicionada por seus anunciantes e cercada por uma cultura de consumo, medo e solidão. Kubrick avisou a todos sobre isso em seu filme, Fincher reafirmou o aviso com outro filme, e a maioria das pessoas não deu atenção. Apenas se chocaram com as “barbáries” cometidas em algumas cenas de violência gratuita e desmedida, feitas justamente para propor uma auto-avaliação do ser humano e seu papel na tal sociedade.

O problema maior é que as pessoas não estavam preparadas na época em que Laranja Mecânica foi lançado, não estavam preparadas quando Clube da Luta foi lançado e não estão preparados hoje para ver seus próprios defeitos escancarados na tela grande do cinema e, ao vê-los, tentam achar um culpado. O próprio cinema. A adaptação de Kubrick é visceral e brilhante. O diretor provoca o expectador com desorientações ao cometer erros de continuidade propositais, trocando pratos de posição durante a seqüência de cenas e também o nível de vinho nas garrafas mudam em diversas tomadas. Quebra tabus ao exibir nudez, símbolos eróticos e violência escancarada o tempo todo e denuncia que a verdadeira violência parte de um governo totalitário e vil.

No documentário Tiros em Columbine (Bowling for Columbine – 2002), o diretor Michael Moore entrevista o cantor Marylin Manson, que teve suas músicas acusadas de influenciar os meninos que provocaram o massacre no colégio dos Estados Unidos. Uma frase que chama muito a atenção é a seguinte: “Quem é mais influente: o presidente ou Marylin Manson?” (No mesmo dia do massacre de Columbine, os EUA lançaram mais bombas em Kovoso do que durante a guerra toda).

No filme Laranja mecânica, o governo se mostra mais violento do que Alex e seus druguies, desenvolvendo um programa de recuperação de presos, onde a lavagem cerebral simplesmente deleta a liberdade de escolha de uma pessoa. O mesmo governo que contrata delinqüentes para fazer parte de uma policia corrupta e que intimida. A ironia também é peça fundamental da película, pois Alex é um garoto tomado de extrema violência, mas sua música preferida é a 9º sinfonia de Beethoven, conhecida como a sinfonia da “paz e da união entre os homens”.

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Clube da luta causou furor ao exaltar a violência, justificar terrorismo urbano e despejar um conteúdo denso de liberdade das coisas materiais através do abandono puro e simples de qualquer comodidade: “As coisas que você possui acabam te possuindo. Você só é realmente livre após perder tudo. Pois ai não terá o que perder, e, enfim, encontrar-se-á livre”. Esta é uma das frases usadas pelo intrigante Tyler Durden (Brad Pitt), alter ego do narrador da história interpretado por Edward Norton. Esta segunda personagem não tem o nome revelado no filme e vive uma vida vazia, regada a consumo excessivo e solidão constante. Nada mais o agrada e, ao “conhecer” o Sr. Durden em uma de suas viagens como inspetor de sinistros de uma grande companhia de seguros, começa a tomar novos ares e novos rumos.

No Brasil temos ainda um adendo na repercussão do filme, quando um estudante entrou em uma sala do Shopping Morumbi em São Paulo onde o filme estava sendo exibido e, com uma metralhadora, atirou a esmo ferindo várias pessoas. Esse episódio foi tema de debates e mais debates na mídia por semanas, criando uma atmosfera ainda mais pesada para o filme.

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Fincher foi corajoso e ousado ao adaptar essa obra para o cinema, com diálogos ácidos e um ritmo frenético, iniciado por imagens velozes do interior do sistema nervoso, culminando na saída do corpo e identificando a personagem de Edward Norton. Imagens do Tyler Durden são inseridas em alguns frames propositalmente, desnorteando o expectador que não tem certeza se viu ou não algo estranho nas cenas iniciais (fato que depois é explicado, quando o narrador nos conta as diversas profissões exercidas por Durden). O filme denuncia todos os distúrbios que a publicidade, a comunicação em massa e a cultura de ostentação pode nos causar. A violência que essas armas do capitalismo exerce sobre nossas cabeças é muito mais aterrorizante, traumatizante e feia do que todo o sangue que Tyler derruba no dono do porão onde o clube tem sede.

A ironia maior do filme fica por conta do frenesi causado pela personagem de Brad Pitt que fazia o caminho inverso do chamado “natural”. Quanto mais o público o conhecia, mais o admirava e mais heróico se tornavam seus atos e modos de vida. Enquanto a publicidade dita que as pessoas têm que adquirir status com as coisas que consomem, Tyler adquiria admiradores e fama afundando-se cada vez mais, seguindo o caminho inverso e mostrando ao narrador que tudo deve ser abandonado para que se consiga a tal “liberdade”. Tyler é uma celebridade às avessas.

 

 

(Continua no próximo post)