Arquivo da categoria ‘Estudo do cotidiano’

uma dose de Verdade #2

Dezembro 4, 2009

mistério...

A moça aí teve a vida pública conturbada, falou coisas meio sem sentido, começou a adotar esse sorriso meio fora de órbita, caiu na galhofa geral e acabou morrendo de um jeito mais maluco que tudo isso junto.

A Verdade?

Eu tô até agora curioso pra saber, de fato, se ela estava com quarenta ou cinquenta anos. Ô imprensa bagunçada!

E tenho dito.

Pra não dizer que não falei de Arrudas

Dezembro 2, 2009

“Caminhando e cantando
e seguindo a canção…”


Tá todo mundo embalado a dar pitacos no caso Arruda né. Esquecemos o Mininova, o brasileirão e até a visita recente do presidente iraniano aqui nas terras brasillis. O imporante agora é tocar fogo no DF e se esbaldar numa Inquisição digital recheada de vídeos que mostram a irrefutável culpa em maços de notas sendo escondida nas meias. Seria até cômico se não fosse trágico.


Vimos, nessas últimas semanas, a eficiência da máquina política na criação de simulacros designados a justamente atiçar a histeria coletiva, sempre esfomeada e pronta pra morder. O digo porque vi, li e presenciei diversos momentos de desabafos equivocados que comemoravam o falecimento do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e agora vejo, leio e fico na presença de situações bizarras e pessoas enchendo o peito e forçando um desenrolar de assunto do escândalo brasiliense, sem saber que a ideia é justamente a de vangloriar o sofrimento de um político corrupto que morre de câncer e apedrejar o palhaço que rola prum lado da sala, enquanto o resto da trupe escapa pela janela.

levou boladas, os mundos e os fundos

levou boladas, os mundos e os fundos

Achar que o Pitta se deu mal e que o governador José Roberto Arruda vai se dar mal é mesmo de se exercer a insciência nossa de cada dia, afinal, desde a politicagem antiga até as lambanças de hoje, sempre que a merda vai feder, estará lá aquele que será o escudo protetor de todas as mutretagens, picaretagens e safadezas arquitetadas. Pra resumir, assim como nos filmes de máfia, alguém ‘paga’ pelo bem da família e leva garantias posteriores, para sí e para seus entes queridos

Celso Pitta levou a bronca porque sabia que estava nas últimas. Levou os cuspes, as piadas, a prisão de pijamas…mas com certeza garantiu muitos benefícios por debaixo dos panos (fora os ‘laranjas’ que devem ter ficados com alguns bons bens que estavam em seus nomes – ou você acha que esses foram devolver um apartamento aqui ou uma casinha de 4 quartos acolá?). O mesmo acontecerá com o governador Arruda, que ainda debochou da tua cara dizendo que a grana distribuída à rodo era pra comprar panetone.

O que ele quis dizer, no auge de um escárnio que só diz a que veio pra quem há muito se aproveita da vida pública, é que o natal dele e de toda a ‘família Arruda’ está grantido (nesse ano e pelos vinte próximos).

E você aí, hein, achando que estava de cara com um esquema bem montado que desmantelou mais uma teia de propinas. Lembre-se, meu amigo, que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

As relatividades.

Outubro 15, 2009

- Barack Obama pode ser o salvador da pátria…

'Yes, we can'. Can we?

'Yes, we can'. Can we?

…ou pode ser mais um bem intencionado que fala muito, pede demais, mas não concretiza nada.

- A Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016 pode trazer grana, turismo, visibilidade e desenvolvimento para a cidade maravilhosa e para o Brasil…

Créu we?

Créu we?

…ou pode, assim como o Pan, render bons frutos superfaturados para pessoas e empresas fantasmas que erguem edificações fuleiras fadadas a virarem…edificações fantasmas.

- A crise em Honduras podia ser um ótimo teste para a diplomacia brasileira, que poderia conduzir o caso de forma a resolver as pendengas na América Central e fortalecer sua influência externa…

O 'hóspede do barulho'

O 'hóspede do barulho'

…ou a coisa toda se resolveria por si só e sem maiores percalços, mostrando a verdadeira importância da diplomacia brasileira: irrelevante.

- Rubinho Barrichelo pode finalmente entrar para os anais da F1 e sagrar-se campeão, empenhando-se nas últimas corridas e ultrapassando, em pontos, Jenson Button…

"nhá...na cara não, hehe"

"nhá...na cara não, haha"

…ou o nosso intrépido corredor pode deixar seu companheiro da Brawn ultrapassá-lo na última volta e, aí sim, mostrar o que sabe fazer de melhor.

- A fase 2 do projeto ‘Cidade Limpa’ do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), pode ajudar a controlar o crescimento feio e desenfreado da cidade, ajudando no desenvolvimento responsável da megalópole…

'um Kassabinho incomoda muita gente...'

'um Kassabinho incomoda muita gente...'

…ou pode ser mais uma ação distópica que entrará em vigor sem finalizações e de forma autoritária, causando muita discussão e pouca efetividade.

Elas por elas, esse post analisa de forma concisa e perfeita as contradições e dilemas de um mundo cheio de distopias…

…ou não.

A Marvel nos anos 90 (Parte II)

Setembro 2, 2009

Marvelous:

O clássico dos clássicos

O clássico dos clássicos

Em 1994, o mundo dos quadrinhos se curvou perante a excelência da Marvels, mini-série em quatro edições de capa especial e trabalho primoroso. Escrito por Kurt Busiek e desenhado por Alex Ross, a série examina o começo do Universo Marvel através do olhar de um fotógrafo. A historia é permeada por questões como o medo, o fascínio e o preconceito da humanidade para com aqueles seres ‘estranhos’ que destruíam suas cidades, mas que lutavam por algo maior. As ilustrações de Ross foram instantaneamente colocadas na importância de clássicos e o realismo fotográfico deste trabalho imortalizou as quatro edições que ganharam uma versão encadernada em 2005. Em 1996, a DC Comics fez igual, só que diferente, lançando a série ‘O Reino do Amanhã’, com o mesmo primor nas pinturas de Alex Ross, mas contando um futuro apocalíptico para os heróis da DC. A série também tem uma qualidade fora do comum, mas nunca chegaria ao status que teve a Marvels.

Marvel VS DC:

No início era o sonho. Em 1996, os fãs de histórias em quadrinhos receberam o que foi chamada de ‘a notícia do século’. As duas editoras clássicas, Marvel Comics e DC Comics, fariam um crossover que envolveria os super-heróis mais queridos de ambas. Os próprios leitores (os americanos, claro) ficariam encarregados de votar no herói que sairia vitorioso em cada disputa. O frenesi era geral e cada nerd da década de 90 tinha seu palpite de quem enfrentaria quem e quais personagens ficariam com a glória da vitória. Mas o que era sonho…

pior não há

pior não há

…poderia virar uma baita frustração. Com desenhistas medianos e roteiro fraco, aparentemente sem propósito, foram poucas as páginas que, de fato, valiam a pena (o duelo entre o Homem-Aranha e o Superboy foi bem legal, ao contrário do quebra-pau entre Wolverine e Lobo, que ficou longe de superar as expectativas dos fãs). Arranjaram, como se não bastasse, a dimensão ‘Amálgama’, ocupada por bizarras mesclas entre os heróis e vilões (o Dark Claw, mistura de Batman e Wolverine, enfrenta o perigoso Hiena, emaranhado de Dentes-de-sabre com Coringa) e fizeram de uma baita oportunidade, o que eu chamaria de ‘o fiasco do século’.

Games:

Pode até parecer brincadeira de mau gosto, mas eu juro que já houve uma época (não muito distante) em que as pessoas (o que inclui crianças e adolescentes) não dependiam da informática. Antes de a Internet fazer parte de nosso dia-a-dia e as lan-houses estarem em cada esquina de cada cidade, nós tínhamos os arcades (o bom e velho fliperama) e as famigeradas ‘casas de fliper’, local onde a molecada fumava escondido e jogava fichas no Mortal Kombat e Street Fighter.

tudo começou aqui...

tudo começou aqui...

Em 1994, a Capcom lançou, em parceria com a Marvel Comics, o jogo de luta ‘X-Men – Children of the Atom’. A partir daquela data, você poderia comprar uma ficha por alguns centavos e escolher qualquer dos personagens disponíveis (dos X-Men Wolverine, Ciclope ou Homem de Gelo aos vilões como Magneto e Samurai de Prata). Começava ali a febre.

X-Men VS Street Fighter

X-Men VS Street Fighter

Em 95, o estilo incorporou todo o Universo Marvel e foi lançado o ‘Marvel Super Heroes’ que, além dos mutantes (ficaram Psylocke, Wolverine, Magneto e o Fanático ‘Juggernaut), agora contava com um ágil Homem-Aranha, um saltitante Capitão América, mais o Incrível Hulk e o Homem de Ferro. Mas ainda era pouco, muito pouco. A Capcom aproveitou o sucesso de seus jogos e concebeu o ‘filho perfeito’: X-Men VS Street Fighter (de 1996).

...passou por aqui...

...passou por aqui...

Além de colocar uma tonelada de personagens de ambos os títulos à disposição, o estilo de jogar escolhendo duplas era um atrativo genial, tornando os rounds mais longos e mais divertidos. A jogabilidade também ganhou novos patamares, podendo ser divertido com os Hadoukens e especiais duplos (quando os dois personagens atacavam juntos a causavam um puta estrago), mas que podia chegar a grandes estratégias de defesa e ataque, fechando combos complexos. Claro que no ano seguinte foi a vez do lançamento de ‘Marvel Super Heroes VS Street Fighter’, com a opção de escolher personagens no mundo Marvel e com a possibilidade de escolher, além das duplas, um ‘aliado’ (herói ou vilão que, ao apertar o botão específico, aparecia rapidamente para um golpe de ajuda).

...e qui já era clássico.

...e qui já era clássico.

Para finalizar, foi lançado em 1998 a sequência ‘Marvel Super Heroes VS Capcom’ em que, além de poder escolher entre um X-Men ou outro super-herói da Marvel, você poderia não só escolher um personagem do já clássico Street Fighter, como poderia pegar personagens tão clássicos quanto, do lado da Capcom, como Mega Man e Capitain Commando. Entrava para a história dos games a diversão garantida com os heróis da Marvel Comics (que, em 2000, lançou o jogo ‘Marvel Super Heroes VS Capcom 2 – A New Age of Heroes’ e…).

A Marvel nos anos 90 (Parte I)

Setembro 2, 2009

Minha vida de ‘colecionador de quadrinhos’ se deu bem no meio dos anos 90. De 1995 a 2002, montes de pilhas de revistinhas ficavam amontoadas embaixo da minha escrivaninha, organizadas por ordem de importância no mês. Eu comecei acompanhando os X-Men e estendi a leitura para as histórias do Homem-Aranha e terminei acompanhando todo o catálogo da Marvel, algumas coisas da Image, da Vertigo e até momentos interessantes da DC.

A poderosa

A poderosa

Claro que, na condição de colecionador, comprei bastante coisa antiga justamente pelo apreço, mas comecei a chafurdar esse passado pra citar os momentos mais interessantes da Marvel Comics nos anos 90, tempo áureo para a poderosa editora que completa 70 anos e para o meu lado colecionador-consumidor agressivo.

Os desenhistas:

Muitos dos traços mais talentosos dos anos 90 passaram pela Marvel. Jim Lee, considerado um dos maiores desenhistas de todos os tempos, desenhou os X-Men de 90 a 92. Já Todd McFarlane elevou a qualidade dos desenhos do cabeça-de-teia e muitos consideram sua passagem, uma das fases mais legais que rolaram nas páginas do Homem-Aranha. (Marc Silvestri desenhou alguns títulos mutantes e fez fama riscando as histórias do Wolverine, enquanto Rob Liefield (também) ilustrou títulos mutantes e ganhou adjetivo de desenhista exagerado quando esticou todos os músculos do Capitão América na saga ‘Heroes Reborn’. Ambos ganharam muita visibilidade nessa época e, junto com os dois primeiros, fundaram a Image Comics (pedra no sapato da Marvel nos primeiros anos).

contemplação 'clássica' de Jim Lee

contemplação 'clássica' de Jim Lee

Os filhos de peixe também deram sequência ao talento dos pais. Os irmãos Kubert, filhos do grande desenhista nos anos 40 e 50, Joe Kubert (também fundador da famosa ‘Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art’), dominaram o universo X-Men. Enquanto Andy (o mais novo) detalhava os conflitos do grupo de superdotados liderados pelo prof. Xavier, Adam (o mais velho) estava no controle da ferocidade do baixinho invocado, Wolverine. John Romita Jr. (filho de John Romita) desenhou diversos títulos nos anos 90, passando por Homem de Ferro, X-Men, Justiceiro, Homem-Aranha (ganhando fama com o mesmo herói que seu pai foi conhecido) e deixando sua marca na histórica mini-série ‘Demolidor, o Homem sem Medo’, escrita por Frank Miller.

o 'cabeça-de-teia' por Todd McFarlane

o 'cabeça-de-teia' por Todd McFarlane

E ainda teve muito mais. A era foi muito produtiva também para os brasileiros Mike Deodato Jr. e Roger Cruz. Deodato ganhou muitos elogios com seu trabalho em Thor, Hulk, Os Vingadores, Elektra e hoje é considerado um desenhista-referência. Roger Cruz podia ser visto dividindo trabalho e estilo com Joe Madureira. Ambos eram bem requisitados naquele final de anos 90, quando a Marvel começou a flertar com o mangá (só lembrar dos desenhos mais quadrados e de cores chapadas da ‘Era do Apocalipse’). E por falar na saga…

Destinos insólitos e sagas marcantes:

Uma das coisas que a Marvel mais gosta de fazer (além de ganhar dinheiro) é subestimar o intelecto dos seus leitores. E pior que costuma dar certo. Se você acha que é só na era ‘Joe Quesada’ que sagas bizarras e completa distorção de histórias são empurradas goela abaixo para os fãs, ‘think again’.

Saga dos Clones

Saga dos Clones

Por tradição, o teioso Homem-Aranha parece sempre ser o mais prejudicado da ‘Saga dos Clones’ foi, com certeza, o período mais odiado pelos leitores nos anos 90. Depois de uma excelente temporada nas mãos de Todd McFarlane, a Marvel inventou que Peter Parker tinha um clone. A história rendeu boas vendas que fizeram a saga se arrastar por dois anos (94-96), tempo em que a Marvel tentou colocar a falecida Gwen Stacy de volta nas publicações, colocou pra rodar outro cabeça-de-teia chamado Aranha Escarlate (o clone Ben Reilly, que usava collant vermelho com um moletom azul por cima, estilizado com uma aranha grande na frente, um capuz na parte de tras e as mangas devidamente arrancadas), tentou a todo custo fazer com que os fãs voltassem a se identificar com o herói que fora cercado de problemas e dilemas e se via casado, com diploma e emprego fixo. A palhaçada só deixou os fãs mais putos e tudo culminou na volta do primeiro Duende Verde (que acreditava-se que estivesse morto) e na morte do Aranha Escarlate, provando, de uma vez por todas, que Parker é e sempre foi o verdadeiro Homem-Aranha.

Já no mundo mutante, ótimas sagas a dar com pau.

Wolverine perdendo o adamantium

Wolverine perdendo o adamantium

- Atrações Fatais – os X-Men vão atrás de um Magneto puto da vida que, no auge da fúria, arranca o adamantium do feroz Wolverine. Infelizmente veio o fiasco das histórias do canadense com garras de osso. Mas Xavier atacou fortemente o vilão e a coisa toda teve conseqüências pesadas.

- Um dos eventos mais importantes foi a ‘Era do Apocalipse’. Durante meses, as revistinhas dos X-Men mostravam uma realidade alternativa, criada após a viagem do mutante Legião (filho do prof. Xavier) ao passado que, na tentativa de assassinar Magneto, acaba matando seu careca progenitor. A cagada alterou toda a realidade, momento em que o planeta se vê dominado pelo ‘mutante mais antigo’ Apocalipse e o destino de todos os mutantes estava do avesso. Magneto vira um líder rebelde e se casa com uma Vampira de cabelo curto. Dentes-de-sabre é um dedicado seguidor do casal, enquanto o fiel Ciclope agora é um lacaio do Sinistro, um dos ‘Quatro Cavaleiros do Apocalipse’ (espécie de generais que comandam os territórios controlados pelo En Sabah Nur). Wolverine só tem uma mão e corre por fora com sua amada Jean Grey. A saga contava justamente a luta maniqueísta dos rebeldes contra a tirania daquele que prega ‘a sobrevivência dos mais fortes’. O sucesso foi grande (tanto que tivemos uma ‘Era do Apocalipse 2’ em 2005) e muitos personagens da saga temporária foram para a realidade que se seguiu.

o início da saga do 'Massacre'

o início da saga do 'Massacre'

- Depois de atacar Magneto, Xavier acabou absorvendo parte da psique do vilão. A ‘junção’ das duas mentes criou a entidade chamada Massacre. O poder infinito do gigante vilão saiu dos quadrinhos mutantes e chegou à toda linha da Marvel (incluindo Homem-Aranha e Hulk) só foi detido após o suposto sacrifício dos Vingadores e do Quarteto Fantástico.

- Quando o vilão Massacre é enviado para outra dimensão (pelo garoto Franklin Richards, filho do Reed Richards, o Sr. Fantástico), os Vingadores são considerados mortos, juntamente com o Quarteto Fantástico. A Marvel então chama desenhistas consagrados (dentre outros, Jim Lee e Rob Liefield) para desenhar as aventuras vividas pelos dois grupos na tal outra dimensão.

A interatividade que a Marvel propunha nesse momento era o que moldaria a cara da editora no novo milênio. Mas o que mais surpreendeu os fãs de quadrinhos foi o passado.

Amanhã, a parte II dos momentos mais legais da Marvel Comics nos anos 90.

Michael Jackson (1958-2009)

Junho 26, 2009

Tentei postar um texto legal, mas vários deles passaram pela cabeça e nenhum conseguiu ficar.

o 'rei do pop'

o 'rei do pop'

Sem pedantismos, mas sem hipocrisia.

Para quem gosta de música e cultura pop, não há como simplesmente deixar o fato passar.

Michael Jackson era um cara fodão, deixando toda a excentricidade de lado.

Aguentou o tranco desde moleque e tinha, aos 11 anos, uma voz que não temos eu, você e todo mundo que ler este post. Com Quincy Jones e a carreira solo, mostrou-se um ótimo compositor, um cantor beirando a excelência (em técnica e interpretação), um dançarino de passes brutais e uma figura pop fora do comum.

primeiro nas paradas

primeiro nas paradas

Vendeu mais de 370 milhões de discos na carreira, e isso em uma época que a venda de discos era sim muito importante. Foi o primeiro a colocar 4 sons de um único álbum no primeiro lugar das paradas  na época do ‘Off the Walls’ (por isso a foto acima, pois foi um dos pouquíssimos a poder fazer uma coletânea só de primeiros-lugares) e o ‘Thriller’ ainda é o álbum mais vendido de todos os tempos (e com a indústria musical agonizando, será bem difícil de alguém superar a marca, mesmo esta começando a ficar obsoleta).

A ficha não caiu direito.
E repito: Sem pedantismos, mas sem hipocrisia.

Mas enquanto os outros ficam ressaltando as bizarrices infinitas do cantor, eu insisto aqui na sua musicalidade. Claro que ele tinha lá as suas baladas meio capengas, mas foi criador de muitos outros sons que são, há cada dia, mais clássicos. E enquanto alguns ficam detalhando os contras, coloque as batidas dançantes do quinteto de Indiana ou do rei do pop e don’t stop ’til you get enought.

Deus lhe pague.

Junho 10, 2009

Já tinha bem seus 70 e poucos anos. Era devota. Não sei ao certo de qual santo e não me assustaria se descobrisse que era de todos. Ninguém na família gostava daquelas coisas todas que chamavam de fanatismo e ela corrigia sempre, afirmando ser um mínimo de agradecimento a tudo que nos foi dado. Eles foram prum lado e ela, proutro.

Vivia reclusa já há bons anos e se acostumara a comentar a vida com o locutor do rádio. Ouvia sempre a missa matinal e as orações que se seguiam. Não conseguia mais trabalhar e ficava zanzando pela casa, hora batendo papo com o homem das orações no rádio, hora arrumando alguns dos pinduricalhos que gostava de usar pra enfeitar a estante da sala.

Já havia lavado a louça do jantar, sempre servido às seis da tarde. Comia sempre uma sopinha aqui…um caldinho acolá…lavava o prato…os talheres…secava-os com o paninho bordado…tomava um copo d’água e fitava a cozinha por alguns poucos minutos.

Colocara o copo ao lado do filtro de barro (não gostava dessa nova mania de comprar água. achava tudo muito não higiênico) e caiu. Assim, de repente.

A queda lhe fraturou um fêmur e esfacelou uma das rótulas. Nem chegou a sentir dor. Caiu já sem consciência e, devota que era, não chegou nem a dar tempo de pedir ajuda a santo algum.

Acharam o corpo cerca de seis dias depois.

Criança feliz…

Maio 27, 2009

Quando eu era moleque, eu era muito porra-louca. Sabe como é, né…

 

…família italiana, todas as energias do mundo acumuladas… eu falava muito, falava alto, falava tudo o que me vinha à mente e falava pra quem quisesse ouvir. Era estouradinho, briguei bastante (já senti o êxtase de um soco certeiro e a frustração do sopapo bem tomado nas fuças).

Adorava passar as férias e muitos finais de semana na casa da minha avó. A molecada era gente boa e a gente passava os dias exercitando a infância, ou seja, brincando das sete da manha às 10 da noite, jogando bola, correndo feito doido, trocando idéias, insultos e desafios. Uma beleza.

Na rua da minha avó, além disso tudo, tinha também o Cabecinha. 

Cabecinha, cujo nome eu lá nem lembro mais, era um incrível paradoxo de oito ou nove anos. Sua cabeça era enorme (como já se era previsível de deduzir), tinha os olhos grandes e curiosos, sorriso constante e pequeno, diminuído pelas bochechas gigantes, redondas e rosadas. Tinha também o queixinho partido e braços gordinhos (daqueles que fazem até furinhos nos cotovelos). E por trás dessa massa fofa de cabelo “tigelinha” existia uma força súbita sempre aparente. Traduzindo: o moleque era uma peste ligada no 780! E claro que a gente aproveitava a encapetação do fedelho pra dar muitas risadas com as mais diversas torrações de saco que o tiravam do sério. Em bom português, a gente causava pra carai.

Num dia qualquer, como qualquer outro, lá veio o Cabecinha descendo a rua em nossa direção (o sorriso dele sempre foi seu melhor. Dava pra sentir de longe a maldade inocente daquele sorriso) enquanto eu conversava com alguém (ou alguéns) sentado no muro do terreninho. Eis que eu decido recepcionar o garoto com todo aquele sarcasmo que sempre me foi parte integrante:

E aê, Cabecinha! – eu disse com certa malícia e empolgação. E o Cabecinha, que já vinha encarando a molecada com aquela serenidade desvairada, foi chegando perto e armando a surpresa. Foi deixando o sorriso maroto de lado e enchendo os olhos de intriga. Com a feição taciturna, apontou o dedinho gordo em minha direção e disparou: “Diabo…cê é o diabo. Diabo, cê é o diabo…cê é o diabo…diabo diabo diabo…CÊ É O DIABO, O DIABO, DIABO!!!”

 

Na mesma fração de segundo em que nossos olhos arregalaram de forma única, o Cabecinha deu de costas em velocidade e correu pra dentro de casa (que ficava quase de frente pro terreninho). Naquele momento, o Cabecinha levou consigo todo o nosso ar. Depois a gente ficou sabendo que tudo não passava de uma experiência recente (a família do Cabecinha era evangélica e ele só repetida o que ouvira no culto), mas nunca mais o cabecinha fora subestimado na rua da minha avó.

 

O Silvio Santos subestimou a pequena Maísa que, após ter chorado aos berros num domingo qualquer de meu deus, repetiu a façanha de chorar no ar no domingo seguinte. E o resultado todo mundo sabe: cassaram a licença de trabalho da pequena e tiraram do ‘Patrão’ a galinha, os ovos de ouro e o SBT continua na derrocada, só chegando a segundo lugar no Ibope nas madrugadas e quando repisam o Chaves. Perturbou a menina (perturbada), só toma pau da emissora do bispo e prova, a cada domingo, que pegou sua noção com as mãos, amassou fazendo uma bolinha, e jogou num canto qualquer em Miami.  “Má oê! Quem quer dinheiro!?”

 

[e depois,quando dizem que a Susan Boyle é a Maísa no "eu sou você amanhã, dizem que é maldade. Repara só]

Da negação à negação.

Abril 7, 2009

Primeiro vem a negação contrariada e forçada.

Começa-se a evitar por orgulho e pra machucar, mesmo se machucando também.

Depois de um tempo, a negação fica pertinente, inerente e sem volta.

Já não se consegue a voltar ao que era antes e ninguém lhe vale, mesmo precisando muito de tudo o que se nega.

Quando é tarde demais, só resta aos outros a divagação sobre o futuro do pretérito. O que seria, como seria…

 

Clique na foto para ler o conto

Clique na foto para ler o conto

Trago mais um conto baseado nas histórias verdadeiras que crio em minha cabeça.

A Bossa Nostra…

 

“Pra ninguém ter que achar que a vida é o tempo que a morte perdoa e te deixa ficar…” [ASonhadora]

Pela última vez…

Março 19, 2009

Choveu pra diabo em Sampa,né não!?

Não tinha como voltar pra Santo André (minha queridinha terra natal) e recebi abrigo na casa da minha amiga Carol Bazzo, que acabou escrevendo um texto muito bom sobre a despedida da paulicéia desvairada.

Hoje, estávamos subindo a Augusta para ir trabalhar e, chegando perto da Av. Paulista, reparei numa multidãozinha de menininhas.

Era um grupo consistente de garotinhas com camisetas, faixas na cabeça, revistas nas mãos e brilhos inigualáveis nos olhinhos jovens. todos os apretechos continham uma alcunha em comum: NX Zero.

 

"Todos me olham, mas ninguém vê..."

"Todos me olham, mas ninguém vê..."

 

 

 

Foi tudo bem rápido.

Passamos, eu me despedi da Carol e entrei no metrô Consolação rumo a mais um dia.

 E realmente, pra mim, foi mais um dia. Mas só pra mim.

Nesse momento singelo em que atravessamos um aglomerado de meninas empolgadinhas com um possível encontro com a banda-ídolo, eu vi uma mocinha bem baixinha, loirinha e levemente rechonchuda. Ela estava de camiseta branca com o logotipo da banda, tinha a franja cobrindo uma faixa vermelha e estava com algum cartaz enrolado e protegido pekas pernas de calça jeans preta e bem apertada.

A mocinha estava em prantos. Seus olhos emanavam um misto de desespero, ansiedade, culpa e desejo.

As lágrimas caiam sem piedade e, ao redor dos olhos, um vermelho forte tomava conta da pele branquinha dela, que olhava pro nada enquanto desabafava algum dos sentimentos citados acima (ou todos juntos de uma vez só).

Eu passei e não ouvi um som sequer que ela emitiu. Pessoas falavamem volta, eu tentava prestar atenção no que a Carol estava falando e, enfim, só tive a imagem por alguns míseros segundos ou pares deles.

 

"Tente me ouvir agora..."

"Tente me ouvir agora..."

 

 

Nem sei se a garotinha chegou a encontrar os tais NX Zero.

Mas sei que ela vai levar aquele momento pra sempre. Ela vai crescer e envelhecer com aquele dia como lembrança forte. Vai rir daquilo tudo…vai lembrar que chorou a beça e provavelmente vai se sentir uma boba por ter feito aquilo. Ela vai até contar pros amigos e amigas em mesas de bar e vai rir e debochar. Mas com certeza ela vai sempre lembrar desse dia com muto carinho. Ela sempre vai s sentir bem ao lembrar do dia em que ela conseguiu chegar perto ou quase perto da “melhor banda de todo o planeta”.

Certeza eu tenho, pelo menos, de que algo de muito bom sairá daquela bolha de pensamentos que passaram naquelas horas de espera e de, se aconteceu, um encontro mamorável.

Eu sempre achei que pagação exacerbada de pau era uma tremenda babaquice.

 

Hoje não acho mais não.