Arquivo da categoria ‘A Luta’

Zé ninguém(!?)

Agosto 5, 2009

O José não é só mais um zé não. O José é das antigas e, mesmo hoje, ainda está por lá. Chegou por essas bandas pouco depois da fundação da vila. Veio de longe trouxe o aprendizado antigo de falar só quando necessário e nunca (nunca mesmo) se separar do verbo fazer. José é e sempre foi um ‘fazedor’. Ajudou na construção de dezena das casas que formariam o núcleo da vila. Socorria com os encanamentos, auxiliava na compra de algumas marmitas em épocas de mutirão, facilitava a distribuição de gás…

Nesse começo, o José não ligava de ser chamado de ‘Zé’ e foi fazendo assim um grupo representativo de amizades. Pagava dose ou outra de cachaça nos botecos, organizava as disputas na sinuca e no truco. O José começou a se fazer numa época em que palavras valiam mais que todas as outras coisas.

Virou líder da associação dos moradores da Vila, não diretamente, mas foi indicado pelos residentes mais antigos (e, por isso, mais influentes). Fazia, por conta de sua posição, mais amigos e mais uns dinheirinhos, hora aqui, hora ali, com as inscrições dos torneios de sinuca e de truco. Levava algum na distribuição de gás e sempre garantia gratificações quando fazia o socorro com os encanamentos. Enquanto todos na Vila tinham cada vez menos, trabalhando cada vez mais e mais longe, o Zé se garantia sem sair do lugar. Assim, acumulava também fatores e toda a comunidade lhe devia algo. Ninguém mais conseguia chamar o Zé de Zé. E já faz bom tempo que o Zé é José e não mais um Zé.

O José não é mais o líder da associação de moradores da Vila. As coisas são rápidas demais e ele diz não estar acostumado a depender da informática pra tomar conta de algo. Mas seu prestígio ainda faz parte do cotidiano do lugar. José é chefe do ‘conselho do bem estar’ e decide, juntamente com os demais conselheiros, como fazer da Vila, um lugar melhor. O que fazer, onde fazer, como fazer e com quanto fazer. Todos esses dilemas passam por uma ‘consulta’ aos populares e finalizam nas decisões do tal conselho.

Nos dias de hoje, a Vila tem a rua José, a escolinha José, o campo José de futebol de várzea e o bingo José. O filho do José é técnico do time infantil e recebe bem mais que os moradores que trabalham fora da Vila. O filho do José nunca ganhou um campeonato sequer. A filha do José é diretora e orientadora da escola da Vila. Ela ganha muito bem e mora há meia quadra da escola. Nem metade das crianças da Vila sabe mesmo escrever e lêem com uma recorrente dificuldade. O José mesmo mal aparece na sede do conselho, resolvendo mil e uma coisas em prol das melhorias da Vila. Mas dia desses ele apareceu por lá. Foi almoçar no bar do Alceu a convite do filho uma semana antes do namorado da sua netinha mais nova conseguir aquela vaga de auxiliar na organização dos torneios de sinuca que eu tanto queria…

um José inspirado em outro Zé...

um José inspirado em outro Zé...

What goes around…Comes around.

Maio 21, 2009

What goes around, comes around

 

.e tenho dito.

A maravilha das tecnologias

Maio 5, 2009

Tá.

Imagina a seguinte cena:

Você trabalha para uma instituição que resolve reciclar seus colaboradores de um jeito diferente – com jogos online. Você se senta de frente para um computador de ótima configuração e passa um bom par de horas disputando com seus colegas em um simulador estratégico de ponta.

Conseguiu imaginar? – legal né…

E se esses jogos fossem de guerra e você tivesse que, junto com sua equipe, desenvolver melhores técnicas de ataque, emboscada e diversos estilos de combate? Mais legal ainda né não?

E se, para esse tipo divertidíssimo de treinamento, você fosse um oficial do exército americano e usasse toda essa “teoria virtual” para por em prática no Iraque ou Afeganistão?

Hum, já não tá tão legal assim né…

 

cena do Counter Strike

cena do Counter Strike

 

O Pentágono investiu um adicional de US$ 50 milhões na indústria de videogames. O motivo? – a criação de “jogos e sistemas interativos para treinar tropas”. O jogo, que até já tem nome (Game After Ambush), vai ter a mesma cara do consagrado Counter Strike, jogado em primeira pessoa e com o intuito principal de vencer o adversário usando os melhores estratagemas militares.

A parceria, que não é nada nova (tivemos o jogo de duelo de tanques Battle Zone nos anos 80 e o treinamento militar restrito Marine Doom – isso mesmo, uma modificação do então lançado Doom 2), relata que o principal incentivo ó o do avanço incrível no visual dos jogos (gráficos e comportamento dos personagens), que proporciona movimentos mais reais e inteligência artificial capaz de criar os ambientes mais imprevisíveis.

A idéia também nunca foi só para fins internos. Quando o Iraque foi invadido em 2003 para a suposta busca de armas químicas e biológicas, o exército dos Estados Unidos lançou oficialmente o America’s Army, jogo disseminado para download gratuito com o propósito de provocar interesse no alistamento militar (o próprio departamento de defesa criou portais e comunidades para os usuários).

GTA San Andreas

GTA San Andreas

O mais legal é lembrar que os democratas, hoje no poder e considerados (com a ajuda da figura carismática de Obama) quase que salvadores da América, caçaram em 2005 (encabeçados pela atual Secretária de Estado Hilary Clinton e pelo ex-candidato à vice-presidência em 2000, Joe Lieberman) os jogos considerados violentos e inapropriados – com direito a perseguição ferrenha ao gigantesco sucesso do então lançado Gand Theft Auto (GTA) San Andreas.

Suponho que os jogos violentos devem, então, ser controlados para não influenciar comportamento violento na população, mas podem ser desenvolvidos – com a melhor tecnologia disponível – para “treinar” um comportamento violento (mas condicionado) em soldados que supostamente voltarão para seu país e viverão uma vida normal?

 

soldado americano

soldado americano

 

 

Ou um soldado bem treinado nunca seria volúvel a um comportamento estranho?

 

de Clube da Luta a Projeto Caos.

Abril 28, 2009

 

O FBI disponibiliza em seu site as listas dos mais procurados (o famoso Most Wanted). São informações sobre fugitivos, crimes e criminosos, pessoas desaparecidas e recompensas de calibres diversos. Uma delas é a dos “terroristas mais procurados”.

Encabeçada por Osama Bin Laden (que recentemente serviu de “garoto propaganda” pra uma campanha alemã de camisinhas), temos também na relação, um punhado de rostos e nomes ligados, de um jeito ou de outro, ao Oriente Médio.

Mas nem só de “árabes” vivem os investigadores da entidade. Um americano (com sobrenome de cidade americana e cara de típico americano) foi inserido na tal lista. O motivo? – Ativismo.

 

Foto: Haraz N. Ghanbari/Associated Press

Foto: Haraz N. Ghanbari/Associated Press

 

Daniel Andreas San Diego é um ativista dos direitos dos animais acusado por atentados a bomba em diversos laboratórios que utilizam animais para testes de medicamentos (atentados totais que já somaram prejuízos que chegam aos US$ 110 milhões). Ele está foragido (Costa Rica é o destino provável) e, como mandam as regras clássicas do fugitivo clássico, Daniel “deve ser considerado armado e perigoso”.

 

fotos disponibilizadas no site do FBI

fotos disponibilizadas no site do FBI

 

Isso me leva a algumas questões e pensamentos (mais questões que pensamentos):

Até onde se pode ir como ativista?
Existe algum ponto, alguma linha que determina qual o exato procedimento que fecha o ativismo realmente relevante?

Digo…explodir bombas como se fizesse parte de alguma guerrilha animal é realmente a melhor forma de alterar uma situação em estado de coma, como esta briga doida com grandes indústrias que lidam com a vida animal (seja ela a de remédios, cosmética, alimentícia ou até a de pele ou produtos que usam pele, pelo, dentes ou outras partes provenientes de animais caçados)? Essas indústrias citadas têm grana pra oitenta gerações de ativistas e realmente creio que fazê-los perder alguns milhões não vai efetivamente alterar a situação dos que realmente importam – os animais.

Se alguém souber, diga-me, por favor, até onde um ativista pode ir e ser considerado um ativista e até onde um ativista pode ir para ser considerado um terrorista.

 

o que é então terrorismo?

o que é então terrorismo?

 

No Blog do Marcos Guterman do Estadão, encontrei um post que trata justamente da discussão sobre o que é terrorismo e sobre como se poderia classificar um ato ou um grupo (ou ainda uma pessoa) de terrorista. Segue um trecho para melhor entendimento:

 “Um bom começo para resolver o assunto talvez seja definir terrorismo. Qualquer ato violento de uma organização irregular destinado a intimidar a população civil de um determinado local, forçando-a a alterar sua rotina para evitar um novo atentado, parece ser uma explicação razoável para terror. E, como diz Hoyt, somente terroristas praticam terrorismo”.

 

Os atentados provocados por Daniel tinham o intuito de intimidar alguma população?

Daniel Andreas divide espaço com foragidos procurados por mortes de americanos (dentro e fora dos EUA), conspiração para mortes de americanos (dentro e fora dos EUA) e ataques a propriedades federais com intuito de provocar mortes. Esses mesmos procurados são citados com recompensas de US$ 5 milhões. Enquanto San Diego é procurado por querer e tentar destruir, por meio de explosivos, prédios e outras propriedades (sua captura seria recompensada com a módica quantia de US$ 250 mil).

Não há mortes registradas e nem acusações de mortes contra Daniel.

Só acho uma discrepância muito grande. Não quero nem julgar a acusação em si, uma vez que mandar uma propriedade privada para os ares não deixa de ser um crime.

Mas colocar na lista de mais procurados um sujeito que nunca matou uma pessoa na vida algo bem extravagante. A não ser que possa ter rolado alguma pressão por parte da indústria de medicamentos, que é uma das bem fortes na terra do tio sam (mas claro que essa é só uma das milhares de suposições que nunca serão de fato esclarecidas).

Vegan, o FBI dá como dicas de identificação, além de tatuagens pelo corpo, as informações de que Daniel não come carne e nem se utiliza de nenhum produto de origem animal.

 

Clube da Luta…
Os 12 Macacos…

Alguém aí também acha que o Brad Pitt pode ter algo a ver com isso?

Don’t Let Me Down! (Ou “I Can’t Get No”)

Fevereiro 4, 2009

 

Por um lado, dizem que a oposição saiu perdendo. Já acolá, discutem a facada que o governo levou, já que contava com apoio para eleger seu candidato (o que obviamente não aconteceu). Ou seja, em alguns magros dias, o PMDB se mostrou o maior hermafrodito de todos os tempos: fodeu como um garanhão experiente a base governista e a chapa opositora…e ainda sim se garantiu como a putinha mais cobiçada da casa da luz vermelha chamada Brasília.

 

o "Fab Four" do PMDB

o "Fab Four" do PMDB

Michel Temer vai dirigir a câmara (no lugar do deputado Arlindo Chinaglia do PT – SP) enquanto Garibaldi Alves (também do PMDB – RN) cede a cadeira a José Sarney, invocador dos espíritos antigos que o tornaram o Mum-Há do senado.

 

Isso…esse Sarney que arrebentou a gente com a maior inflação possível, que é dono do Maranhão assim como ACM [que hoje em dia não se senta à direita do cão, mas sim no trono dele...enquanto o coisa-ruim himself se acomoda num banquinho qualquer] mandava na Bahia. Casas que andavam até que tranquilas na medida do possível, ainda mais após Renans e Severinos e todas as escapadelas possíveis e imagináveis de cassação. Agora temos novos masters of puppets exercendo com todo o talento que lhes é de sobra a boa e velha politicagem nacional.

 

"o de vida eterna!!!"

"o de vida eterna!!!"

Fora a liderança nas duas casas, o PMDB ainda conta com a liderança na quantidade de eleitos e vice-eleitos nas últimas eleições municipais. Tem PMDB espalhado por todo o Quintal Brasilis! E, claro, com todos esses…

 

…atributos, o partido de Orestes Quércia se faz ainda se potencializa justamente no que faz de melhor (pena que o que o partido faz não é nada bom, como diria nosso grande amigo Logan “Wolverine”): barganhar.

 

O próprio Quércia já deu a letra quando questionado sobre algum candidato à presidência – “Dilma”. Agora a galerinha petista vai ter de engolir os cornos tomados na cabeça (quanto a questão da presidência do Senado) pra manter esse “bom humor” peemedebista (se bem que esses últimos só apontam o focinho pra onde o cheiro de comida boa chama, não sendo capazes de torcê-lo por birra ou outro motivo que não seja uma comida melhor). Já os tucanos terão de ter muita lábia para conquistar a rapariga que já está “exigindo” uma possível vice-presidência em 2010 (alguém ai também imaginou nosso caricato Serra jogando água de colônia na careca, besuntando os poucos fios que brotam logo acima, só pra mandar aquele xaveco na biscatinha number one do cerrado?).

 aliedo-pmdb

Posso dizer que o PMDB, hoje, parece uma ex de jogador de futebol. Ou até então uma modelo que saiu com algum rockstar inglês e se deu bem. Opa! Será que logo logo teremos algum programa de auditório comandado pelo PMDB?

É nóis, tudo junto e misturado (versão Gaza)

Janeiro 7, 2009

 

As cores deum Estado inexistente...

As cores de um Estado inexistente...

 

 

“É tudo nosso”.
E quem somos nós? O que é nosso? O território? É do povo [palestino] ou do Estado [de Israel]? Pergunto de novo: é do povo [judeu que vive em Israel] ou do Estado [imaginário palestino que luta para se firmar e se legitimar]

Eu sei que são muitas questões, mas infelizmente elas têm o poder magnífico de de multiplicar.
Quem quer que seja tudo nosso? Os militares? Os terroristas? Suas respectivas cúpulas? Seus respectivos povos? Esse(s) mesmo(s) povo(s) que inflamam a revolta até a primeira bomba [tiro/foguete/granada/carro em chamas] alvejar o quintal vizinho? Os militares são terroristas? Os terroristas são militares?  O que é tudo e tudo é de quem? Tudo isso o que?

Hora é Gaza…
…e hora é a Cisjordânia.

Israel é uma besta enorme e furiosa, rosnando cercada de pequenas feras árabes de mordidas doídas e persistentes. Estado judeu detentor de um exército extremamente potente, rodeado de fundamentalistas de olhos injeados por uma tradição fomentada há tempos por uma raiva incondicional. Criou-se assim um ódio mutuo de causas sagradas e, hoje em dia, herdada inconscientemente. O Hamas simplesmente não aceita o fato de exisir um país judaico firmado e sedimentado enquanto o povo palestino não tem um local oficial pra chamar de seu. Certamente a organização paramilitar não vai sossegar enquanto uma bandeira branca de estrela azul tremular com os ventos sagrados de Jerusalém. 

E o maior problema do atual conflito é que o enérgico exército israelense partiu [agora por terra] com toda gana de rechaçar definitivamente o eterno inimigo que, como já dito, está de braços abertos esperando com sangue quente, ou seja, a violência se faz mais presente e o cuidado com civis acaba por se perder em algum beco cravejado de balas ou no meio de algum edifício tomado pela fumaça de alguma explosão.

 

Cidade de Gaza é atacada no 11.º dia da operação israelense. Foto - AP

Cidade de Gaza é atacada no 11.º dia da operação israelense. Foto - AP

Notícias de civis mortos não param de entupir jornais, sites de notícia e todo tipo de veículo jornalístico. A ONU permanece como barata tonta, correndo de lado pra outro sem apertar com real aferro enquanto o Egito já se manifesta anunciando um plano de cessar-fogo na região [a chamada Faixa de Gaza faz divisa com o Egito]. A Cruz Vermelha se encontra em polvorosa fazendo reuniões em Genebra e exigindo acertos quanto ao tratamento de feridos [que parece começar a ser atendido - Israel anunciou a criação de um "corredor humanitário" para auxiliar o acesso dos moradores de Gaza a alimentos e outros suprimentos].

Com ou sem ataques, o conflito naquele local do Oriente Médio sempre existirá por questões inerentes a qualquer vontade ou concepção ocidental. O que realmente importa é que pessoas que não estão diretamente envolvidas na investida israelense pague o pato[mais doque já estão pagando, vendo sua rotina invadida - novamente - por dias de terror e dúvidas]. Claro que cada palestino e cada istaelense tem em mente o desejo de vitória de seus respectivos lados, porém, não convém aos militares, paramilitares ou qualquer sujeito de armas em punho [ou dedo colado no botão de algum lançador de  bomba/tiro/foguete/granada/carro em chamas] ferir ou ao menos imaginar que pode exercer algum tipo de irascibilidade em nome de qualquer causa politico-territorial-religiosa.

Do mais, a eterna luta de raízes históricas que sempre apontou o caminho de árabes e judeus se mostra longe de se estinguir. De um lado, um Estado que quer se perpetuar. De outro, um Estado que respira pra ainda acontecer. 

 

 

Everything can change on a new years day *

Dezembro 25, 2008

“Como estava dizendo, no amanhecer do dia 1º de janeiro de 1994, o mundo se depara, atônito, com as notícias que chegam do México. Homens e mulheres com o rosto coberto ocupam, de armas em punho, as cidades de San Cristóbal de Las Casas, Altamirano, Las Margaritas, Oxchuc, Huixtán, Chanal e Ocosingo. Seu gesto inesperado, de um lado, azeda os banquetes das elites que, no mesmo dia, celebram a entrada em vigor do NAFTA e, de outro, reacende em muitos o desejo de lutar por uma nova sociedade”. (EZLN: Passos de uma rebeldia – Emilio Gennari)

ezln-06

O levante aconteceu há quase 15 anos…
A Luta, claro, está longe de terminar e, entre altos e baixos, ainda permanece viva e sedenta por uma definição boa.
Seja ela qual for.

Há quem diga que esse papo de fim de ano e de ano novo não existe…que é apenas parte do ciclo que não se encerra ou se inicia com essa definição de troca de anos.

Há quem diga…
…e eu nem discordo.

Mas sei que a Luta se inicia em algum ponto.
Sei que começa longe de terminar e, entre altos e baixos, deve permanecer viva e sedenta por uma definição boa…
…seja ela qual for.

O desafio está lançado.
O que você quer fazer para mudar?
Quer encontrar o caminho? – pare de procurá-lo e faça-o. 

A dica também está na cara, ou melhor, no topo: “Everything can change on a new years day”

*[a frase do título é rafrão da música WAR WITHIN A BREATH da banda Rage Against The Machine, que dentre outras coisas, é partidária da resistência indígena no sul do México] 

 

Nos vemos em um novo dia de 2009.

As três flores da esperança

Outubro 15, 2008

 

Liberdade. Diz Durito que a liberdade é como o amanhecer. Alguns o esperam dormindo, mas outros acordam e caminham durante a noite para alcançá-lo. Eu digo que nós zapatistas somos viciados em insônia e deixamos a história desesperada.

 

Luta. O Velho Antônio dizia que a luta é como um círculo. Pode começar em qualquer ponto, mas nunca termina.

 

História. A história não passa de rabiscos escritos por homens e mulheres no solo do tempo. O poder traça o seu rabisco, o elogia como escrita sublime e o adora como se fosse a única verdade. O medíocre limita-se a ler os rabiscos. O lutador passa o tempo todo preenchendo páginas. Os excluídos não sabem escrever…Ainda.

 

 

EZLN, 18 de maio de 1996.

 

 

(não poderia ser diferente)