Cá está José Saramago “blogando”.
Não temos em ‘Caim‘ um refazer estupendo da história bíblica e nem pensamentos profundos. Você não vai achar um subjetivismo poderoso de um Nobel revoltado com dogmas ou com a instituição católica.
O escritor simplesmente resolveu se divertir e escreve de forma deliciosa a nova versão para o “Livro dos dispartes” (como ele chama o Antigo Testamento). É o reflexo de um velhote que já não tem lá seus muitos tempos para viver e que passou há pouco por um perrengue danado – ou seja – nada melhor que mandar o mundo às favas e escrever algo de forma descontraída. E ele assim o faz.
Mesmo sem ser algo extraordinário, Saramago consegue discorrer uma narrativa suave e saborosa, deixando um livro enxuto de quase duzentas páginas.
E se eu conseguir escrever metade do que o puto lusitano escreve despretensiosamente, já me darei como afortunado.
Tags: José Saramago, Livro, Pensamento

dezembro 11, 2009 às 3:15 pm
Que bom! Até que enfim alguém que falou algo sensato sobre Caim. Na boa, Saramago não precisa provar mais nada e não merece essa modinha de más palavras em torno dele agora. Muito bom, Jader, muito bom!
janeiro 9, 2010 às 3:59 pm
Olá, jader! Conheci o PdH no caderno “Ela” d’O Globo de hj. Resolvi entrar pra conferir e cheguei até vc, por ser colunista com o qual mais me identifiquei. Procurei seu e-mail por aqui, mas como não o encontrei, vai como comentário mesmo: criei um blog, bem despretensioso, há poucas semanas e também comentei sobre esse livro. Quer dar uma olhada? http://purissimavida.blogspot.com/2010/01/o-caim-de-saramago.html
Há, também, um texto (micro-conto/mini-crônica??) no qual tentei imprimir o olhar masculino. Alguns amigos gostaram. Adoraria saber a sua opinião – e a de colegas daí do site: http://purissimavida.blogspot.com/2009/12/vermelho-texto-provocacao-esta.html
Ficamos em contato? Prazer em conhecê-lo.
Abraço, Gabi