Já tinha bem seus 70 e poucos anos. Era devota. Não sei ao certo de qual santo e não me assustaria se descobrisse que era de todos. Ninguém na família gostava daquelas coisas todas que chamavam de fanatismo e ela corrigia sempre, afirmando ser um mínimo de agradecimento a tudo que nos foi dado. Eles foram prum lado e ela, proutro.
Vivia reclusa já há bons anos e se acostumara a comentar a vida com o locutor do rádio. Ouvia sempre a missa matinal e as orações que se seguiam. Não conseguia mais trabalhar e ficava zanzando pela casa, hora batendo papo com o homem das orações no rádio, hora arrumando alguns dos pinduricalhos que gostava de usar pra enfeitar a estante da sala.
Já havia lavado a louça do jantar, sempre servido às seis da tarde. Comia sempre uma sopinha aqui…um caldinho acolá…lavava o prato…os talheres…secava-os com o paninho bordado…tomava um copo d’água e fitava a cozinha por alguns poucos minutos.
Colocara o copo ao lado do filtro de barro (não gostava dessa nova mania de comprar água. achava tudo muito não higiênico) e caiu. Assim, de repente.
A queda lhe fraturou um fêmur e esfacelou uma das rótulas. Nem chegou a sentir dor. Caiu já sem consciência e, devota que era, não chegou nem a dar tempo de pedir ajuda a santo algum.
Acharam o corpo cerca de seis dias depois.
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Junho 10, 2009 às 3:34 am
ui.
Junho 10, 2009 às 3:43 pm
é, a morte é certa.
Junho 10, 2009 às 5:04 pm
Bem trágico.
Junho 10, 2009 às 6:37 pm
de repente, ela encontrou a verdade em que con-fiava.
Junho 10, 2009 às 8:08 pm
foi tão seco e brusco que levei um susto! Boa, hein.
Junho 11, 2009 às 7:23 pm
c’est la vie
Junho 12, 2009 às 5:33 pm
Que mórbido!
Junho 19, 2009 às 8:21 pm
Difícil ser cercado por fools hein amigo…. Muito bom conto, Veríssimo ficaria orgulhoso.
Junho 24, 2009 às 6:04 pm
todo dia ela faz tudo sempre igual…menos nesse.
delicado…
gostei!
beijo