Posts de Maio, 2009

Criança feliz…

Maio 27, 2009

Quando eu era moleque, eu era muito porra-louca. Sabe como é, né…

 

…família italiana, todas as energias do mundo acumuladas… eu falava muito, falava alto, falava tudo o que me vinha à mente e falava pra quem quisesse ouvir. Era estouradinho, briguei bastante (já senti o êxtase de um soco certeiro e a frustração do sopapo bem tomado nas fuças).

Adorava passar as férias e muitos finais de semana na casa da minha avó. A molecada era gente boa e a gente passava os dias exercitando a infância, ou seja, brincando das sete da manha às 10 da noite, jogando bola, correndo feito doido, trocando idéias, insultos e desafios. Uma beleza.

Na rua da minha avó, além disso tudo, tinha também o Cabecinha. 

Cabecinha, cujo nome eu lá nem lembro mais, era um incrível paradoxo de oito ou nove anos. Sua cabeça era enorme (como já se era previsível de deduzir), tinha os olhos grandes e curiosos, sorriso constante e pequeno, diminuído pelas bochechas gigantes, redondas e rosadas. Tinha também o queixinho partido e braços gordinhos (daqueles que fazem até furinhos nos cotovelos). E por trás dessa massa fofa de cabelo “tigelinha” existia uma força súbita sempre aparente. Traduzindo: o moleque era uma peste ligada no 780! E claro que a gente aproveitava a encapetação do fedelho pra dar muitas risadas com as mais diversas torrações de saco que o tiravam do sério. Em bom português, a gente causava pra carai.

Num dia qualquer, como qualquer outro, lá veio o Cabecinha descendo a rua em nossa direção (o sorriso dele sempre foi seu melhor. Dava pra sentir de longe a maldade inocente daquele sorriso) enquanto eu conversava com alguém (ou alguéns) sentado no muro do terreninho. Eis que eu decido recepcionar o garoto com todo aquele sarcasmo que sempre me foi parte integrante:

E aê, Cabecinha! – eu disse com certa malícia e empolgação. E o Cabecinha, que já vinha encarando a molecada com aquela serenidade desvairada, foi chegando perto e armando a surpresa. Foi deixando o sorriso maroto de lado e enchendo os olhos de intriga. Com a feição taciturna, apontou o dedinho gordo em minha direção e disparou: “Diabo…cê é o diabo. Diabo, cê é o diabo…cê é o diabo…diabo diabo diabo…CÊ É O DIABO, O DIABO, DIABO!!!”

 

Na mesma fração de segundo em que nossos olhos arregalaram de forma única, o Cabecinha deu de costas em velocidade e correu pra dentro de casa (que ficava quase de frente pro terreninho). Naquele momento, o Cabecinha levou consigo todo o nosso ar. Depois a gente ficou sabendo que tudo não passava de uma experiência recente (a família do Cabecinha era evangélica e ele só repetida o que ouvira no culto), mas nunca mais o cabecinha fora subestimado na rua da minha avó.

 

O Silvio Santos subestimou a pequena Maísa que, após ter chorado aos berros num domingo qualquer de meu deus, repetiu a façanha de chorar no ar no domingo seguinte. E o resultado todo mundo sabe: cassaram a licença de trabalho da pequena e tiraram do ‘Patrão’ a galinha, os ovos de ouro e o SBT continua na derrocada, só chegando a segundo lugar no Ibope nas madrugadas e quando repisam o Chaves. Perturbou a menina (perturbada), só toma pau da emissora do bispo e prova, a cada domingo, que pegou sua noção com as mãos, amassou fazendo uma bolinha, e jogou num canto qualquer em Miami.  “Má oê! Quem quer dinheiro!?”

 

[e depois,quando dizem que a Susan Boyle é a Maísa no "eu sou você amanhã, dizem que é maldade. Repara só]

What goes around…Comes around.

Maio 21, 2009

What goes around, comes around

 

.e tenho dito.

Se eu disser que estou mentindo, então estarei a falar a verdade?

Maio 20, 2009

mentiroso...

mentiroso...

Michel Temer é um mentiroso.

Barack Obama é um mentiroso.

O José Serra é um baita mentiroso e quem botou os tais livros na praça também é mentiroso.

Mas não fica só nisso não.

mentiroso...

mentiroso...

O Ronaldo é mentiroso.

O Almodóvar e o Von Trier são bem mentirosos.

O Muhammad Ali é um mentiroso com soco de coice de mula.

Os mexicanos são mentirosos com gripe.

O presidente da câmara britânica é mentiroso.

Quer mais?

'menteuse'...ou mentirosa memo.

'menteuse'...ou mentirosa memo.

O telescópio Hubble mente pra carai.

O fóssil de 47 milhões de anos está mentindo.

O déficit da previdência mente.

Os indicadores de emprego são mentirosos.

O nevoeiro que baixou em São Paulo hoje, claramente estava mentindo.

As enchentes do nordeste são mentirosas e a Torre Eiffel é uma mentira.

 

Você é um mentiroso e eu estou mentindo. Então por que ler esse post?

Porque é a Verdade.

Dos equívocos da vida

Maio 13, 2009

 

verdade vs sinceridade

No filme Closer (Perto Demais – 2004), a personagem do britânico Clive Owen agradece, por duas vezes durante a trama, as respostas “sinceras” (uma de sua até então esposa, Julia Roberts, e outra dada pela ninfetinha ácida interpretada pela delicada Natalie Portman).

Em meio a diálogos densos e sarcásticos, o brutamontes inglês conseguia a verdade apertando suas parceiras, mas garantindo-lhes o reconhecimento devido: “Thanks. Thanks for your sincerity” (Obrigado. Obrigado pela sua sinceridade).

Quase que como um torturador, Larry (o Clive Owen) obtinha a verdade usando a força psicológica (e um pouco da física, que intimidava qualquer mocinha e, porque não, alguns moços). Mais que a simples verdade, Larry conseguia confissões.

Acho que o Larry nunca parou pra pensar que o sincero sempre fala com verdade (caráter), mas que nem sempre quem expõe um fato verdadeiro o faz em prol da sinceridade (mas sim da sobrevivência).

No Filme Closer, o Larry acredita demais. 

Clique na foto para ler o conto
Clique na foto para ler o conto

Trago mais um conto baseado nas histórias verdadeiras que crio em minha cabeça.

A Bossa Nostra

A maravilha das tecnologias

Maio 5, 2009

Tá.

Imagina a seguinte cena:

Você trabalha para uma instituição que resolve reciclar seus colaboradores de um jeito diferente – com jogos online. Você se senta de frente para um computador de ótima configuração e passa um bom par de horas disputando com seus colegas em um simulador estratégico de ponta.

Conseguiu imaginar? – legal né…

E se esses jogos fossem de guerra e você tivesse que, junto com sua equipe, desenvolver melhores técnicas de ataque, emboscada e diversos estilos de combate? Mais legal ainda né não?

E se, para esse tipo divertidíssimo de treinamento, você fosse um oficial do exército americano e usasse toda essa “teoria virtual” para por em prática no Iraque ou Afeganistão?

Hum, já não tá tão legal assim né…

 

cena do Counter Strike

cena do Counter Strike

 

O Pentágono investiu um adicional de US$ 50 milhões na indústria de videogames. O motivo? – a criação de “jogos e sistemas interativos para treinar tropas”. O jogo, que até já tem nome (Game After Ambush), vai ter a mesma cara do consagrado Counter Strike, jogado em primeira pessoa e com o intuito principal de vencer o adversário usando os melhores estratagemas militares.

A parceria, que não é nada nova (tivemos o jogo de duelo de tanques Battle Zone nos anos 80 e o treinamento militar restrito Marine Doom – isso mesmo, uma modificação do então lançado Doom 2), relata que o principal incentivo ó o do avanço incrível no visual dos jogos (gráficos e comportamento dos personagens), que proporciona movimentos mais reais e inteligência artificial capaz de criar os ambientes mais imprevisíveis.

A idéia também nunca foi só para fins internos. Quando o Iraque foi invadido em 2003 para a suposta busca de armas químicas e biológicas, o exército dos Estados Unidos lançou oficialmente o America’s Army, jogo disseminado para download gratuito com o propósito de provocar interesse no alistamento militar (o próprio departamento de defesa criou portais e comunidades para os usuários).

GTA San Andreas

GTA San Andreas

O mais legal é lembrar que os democratas, hoje no poder e considerados (com a ajuda da figura carismática de Obama) quase que salvadores da América, caçaram em 2005 (encabeçados pela atual Secretária de Estado Hilary Clinton e pelo ex-candidato à vice-presidência em 2000, Joe Lieberman) os jogos considerados violentos e inapropriados – com direito a perseguição ferrenha ao gigantesco sucesso do então lançado Gand Theft Auto (GTA) San Andreas.

Suponho que os jogos violentos devem, então, ser controlados para não influenciar comportamento violento na população, mas podem ser desenvolvidos – com a melhor tecnologia disponível – para “treinar” um comportamento violento (mas condicionado) em soldados que supostamente voltarão para seu país e viverão uma vida normal?

 

soldado americano

soldado americano

 

 

Ou um soldado bem treinado nunca seria volúvel a um comportamento estranho?