Posts de Abril, 2009

de Clube da Luta a Projeto Caos.

Abril 28, 2009

 

O FBI disponibiliza em seu site as listas dos mais procurados (o famoso Most Wanted). São informações sobre fugitivos, crimes e criminosos, pessoas desaparecidas e recompensas de calibres diversos. Uma delas é a dos “terroristas mais procurados”.

Encabeçada por Osama Bin Laden (que recentemente serviu de “garoto propaganda” pra uma campanha alemã de camisinhas), temos também na relação, um punhado de rostos e nomes ligados, de um jeito ou de outro, ao Oriente Médio.

Mas nem só de “árabes” vivem os investigadores da entidade. Um americano (com sobrenome de cidade americana e cara de típico americano) foi inserido na tal lista. O motivo? – Ativismo.

 

Foto: Haraz N. Ghanbari/Associated Press

Foto: Haraz N. Ghanbari/Associated Press

 

Daniel Andreas San Diego é um ativista dos direitos dos animais acusado por atentados a bomba em diversos laboratórios que utilizam animais para testes de medicamentos (atentados totais que já somaram prejuízos que chegam aos US$ 110 milhões). Ele está foragido (Costa Rica é o destino provável) e, como mandam as regras clássicas do fugitivo clássico, Daniel “deve ser considerado armado e perigoso”.

 

fotos disponibilizadas no site do FBI

fotos disponibilizadas no site do FBI

 

Isso me leva a algumas questões e pensamentos (mais questões que pensamentos):

Até onde se pode ir como ativista?
Existe algum ponto, alguma linha que determina qual o exato procedimento que fecha o ativismo realmente relevante?

Digo…explodir bombas como se fizesse parte de alguma guerrilha animal é realmente a melhor forma de alterar uma situação em estado de coma, como esta briga doida com grandes indústrias que lidam com a vida animal (seja ela a de remédios, cosmética, alimentícia ou até a de pele ou produtos que usam pele, pelo, dentes ou outras partes provenientes de animais caçados)? Essas indústrias citadas têm grana pra oitenta gerações de ativistas e realmente creio que fazê-los perder alguns milhões não vai efetivamente alterar a situação dos que realmente importam – os animais.

Se alguém souber, diga-me, por favor, até onde um ativista pode ir e ser considerado um ativista e até onde um ativista pode ir para ser considerado um terrorista.

 

o que é então terrorismo?

o que é então terrorismo?

 

No Blog do Marcos Guterman do Estadão, encontrei um post que trata justamente da discussão sobre o que é terrorismo e sobre como se poderia classificar um ato ou um grupo (ou ainda uma pessoa) de terrorista. Segue um trecho para melhor entendimento:

 “Um bom começo para resolver o assunto talvez seja definir terrorismo. Qualquer ato violento de uma organização irregular destinado a intimidar a população civil de um determinado local, forçando-a a alterar sua rotina para evitar um novo atentado, parece ser uma explicação razoável para terror. E, como diz Hoyt, somente terroristas praticam terrorismo”.

 

Os atentados provocados por Daniel tinham o intuito de intimidar alguma população?

Daniel Andreas divide espaço com foragidos procurados por mortes de americanos (dentro e fora dos EUA), conspiração para mortes de americanos (dentro e fora dos EUA) e ataques a propriedades federais com intuito de provocar mortes. Esses mesmos procurados são citados com recompensas de US$ 5 milhões. Enquanto San Diego é procurado por querer e tentar destruir, por meio de explosivos, prédios e outras propriedades (sua captura seria recompensada com a módica quantia de US$ 250 mil).

Não há mortes registradas e nem acusações de mortes contra Daniel.

Só acho uma discrepância muito grande. Não quero nem julgar a acusação em si, uma vez que mandar uma propriedade privada para os ares não deixa de ser um crime.

Mas colocar na lista de mais procurados um sujeito que nunca matou uma pessoa na vida algo bem extravagante. A não ser que possa ter rolado alguma pressão por parte da indústria de medicamentos, que é uma das bem fortes na terra do tio sam (mas claro que essa é só uma das milhares de suposições que nunca serão de fato esclarecidas).

Vegan, o FBI dá como dicas de identificação, além de tatuagens pelo corpo, as informações de que Daniel não come carne e nem se utiliza de nenhum produto de origem animal.

 

Clube da Luta…
Os 12 Macacos…

Alguém aí também acha que o Brad Pitt pode ter algo a ver com isso?

Um que valha

Abril 23, 2009

 

tirinha da série "quase nada"

tirinha da série "quase nada"

Eu ando meio nessa nos últimos dias.
Menos falação e mais contemplação.

E definitivamente eu concordo com o “algumas pessoas falam DEMAIS”.

E não é reclamação à toa. Não é aquela reclamação romântica “meio intelectual, meio de esquerda”  dos que ralham, como exemplo, o Arnaldo Jabour e sua mania de achar que sabe tudo de tudo e de achar que pode falar sobre tudo com propriedade. Não, o buraco é ainda mais embaixo.

Acho que prefiro as pessoas que falam de menos às que falam demais.
Menos falação e mais contemplação.

Daquela linha de pessoa que se coça pra colocar sua opinião nos assuntos que mal dizem respeito a você, quanto mais a outrem. Daquela linha de pessoa que sai falando tudo pra todos mesmo sem se importar se está sendo ou não pedante, brega ou sem noção.

Claro que cada um faz o que acha melhor da vida e eu espero que sempre continue assim. Mas, por favor, não ultrapasse a sua liberdade de falar esbarrando na minha liberdade de ouvir.

Juro que é mais fácil do que imagina-se…

[A ilustração desse post pertence aos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, do 10 Pãezinhos]

‘eu tive vontade de destruir algo belo…’

Abril 17, 2009

 

somos aquilo que fazemos...

somos aquilo que fazemos...

 

…mas de quando em vez dá uma vontade danada de mudar um pouco, né!?

Porque o legal, o bacana, o estiloso, às vezes dá no saco e fica nada legal, bacana ou estiloso.

Vem e dá na telha de ficar logo “de atravessado” e incomodar quem puder ser incomodado. Porque tem dia em que a vontade é de pegar o diabo pelo rabo e mostrar pra toda a galerinha que adora estar o tempo todo de bem com tudo. “Não gostou não, mané!?” – Sem isso, cai-se na mesmice.

[a imagem que ilustra esse post foi coletada no flickr do paraibano Derby Blue. só pra diversificar um pouco]

Três minutos e tá pronto!

Abril 15, 2009

Meu amigo Pedro Jansen escreveu sobre a “Música-miojo e a mulher pronta para a refeição em três minutos“, ou seja, sobre aquelas canções que tu usa propositalmente para, num encontro, deixar a tetéia no ponto certo pra que tudo dê certo (de acordo com as tuas perspectivas, naturalmente).

E já que nosso querido Rafael Campos defende a música apenas no pré-nheco-nheco,  a música-miojo acaba sendo das armas mais poderosas pra que ambos acabem tendo um encontro bem delicinha.

 

 

Afinal, a idéia é fazer tudo por elas.

Afinal, a idéia é fazer tudo por elas.

 

 

 

Não vou me estender muito, afinal, no post em questão já está bem explicado do que se trada a filosofia da música-miojo e temos até excelentes exemplos de como deixar uma pequena toda empolgadinha para largar o vinho de lado e cair contigo na brincadeira (a tal lista vai do mestre das “fuck songs” Marvin Gaye e sua Let’s Get It On até More Than Words, a canção mais enganadora e deturpada de todo o universo imaginável). Não vou me estender porque a minha idéia hoje é complementar esse post com mais algumas obras concebidas (concientemente ou não) para o ato de deixar o caminho mais tranquilo.

 

 - Barry White: 

 

A lábia de poucos...

A lábia de poucos...

O cara tem a cara de malandro, a voz grave de “arrupiar” qualquer boneca, e ainda me faz baladas românticas com o trio feminino Love Unlimited e, posteriormente, com a Love Unlimited Orchestra, ambas (claro) com o nome criado pelo próprio White. Colocar o som desse cara pode ser perigoso, pois vai depender muito da companhia entender que o que importa mesmo é todo esse contexto (porque o som em sí fica bem no meio-fio entre o sexy e o brega-cafona-nãometoca). Mas se tu tiver com a gata certa, ah…

 

 - Tony Bennett:


Charme herdado...

Charme herdado...

 

O cara canta aquele jazz limpo, classudo. Tudo o que ele fala é completamente entendível e sua pose é de uma confiança única. Carrega consigo toda a tradição ítalo-americana e tem aquele ar de ser amigo prestigiado da máfia italiana, todo ao nipe Frank Sinatra. Coisa fina de se colocar para fazer aquela dancinha lenta, abraçadinho, cabeça no ombro, olhares derradeiros e tudo o mais de se pode aproveitar enquanto roda a sala ao som de Tony Bennett.

 

 - Djavan:

 

Joselito que deu certo...

Joselito que deu certo...

Esse alagoano é especialista em escrever letras que vão do nada a lugar algum e mesmo assim a mulherada adora! Colocar Djavan pra rolar é fazer com que os hormônios femininos trabalhem sem que ela perceba. E é uma ótima trilha sonora pra se bater aquele papo mais intimista e “agressivo”, uma vez que ninguém vai prestar atenção nas letras alopradas e enfeitadas por bons arranjos afrodizíacos. Djavan nos falantes é sinal claro, pra ambas as partes, de que algo vai definitivamente acontecer.

 

 - Portishead:


Podem negar até o fim da vida, mas esse trio só fazia música pensando naquilo. Seus álbuns são um verdadeiro arsenal de armas de sedução. Dar play em um Portishead é apelar geral. Dar play pra rodar um Portishead é esquecer completamente do autruísmo. Play em Portishead, num encontro a dois, é, sem dúvida alguma, egoísmo em sua melhor forma.

[e, claro, fica o espaço dos comentários aberto pra mais dicas sobre músicas pertinentes pra arte de seduzir, xavecar, paquerar e todos os sinônimos que possam estar disponíveis]

Da negação à negação.

Abril 7, 2009

Primeiro vem a negação contrariada e forçada.

Começa-se a evitar por orgulho e pra machucar, mesmo se machucando também.

Depois de um tempo, a negação fica pertinente, inerente e sem volta.

Já não se consegue a voltar ao que era antes e ninguém lhe vale, mesmo precisando muito de tudo o que se nega.

Quando é tarde demais, só resta aos outros a divagação sobre o futuro do pretérito. O que seria, como seria…

 

Clique na foto para ler o conto

Clique na foto para ler o conto

Trago mais um conto baseado nas histórias verdadeiras que crio em minha cabeça.

A Bossa Nostra…

 

“Pra ninguém ter que achar que a vida é o tempo que a morte perdoa e te deixa ficar…” [ASonhadora]

de como EU amei todos vocês

Abril 1, 2009

“I get by with a little help from my friends”

Namorei durante cinco anos e me afastei dos amigos da infância.

Quando o namoro acabou, aqueles amigos não eram mais o que eu esperava deles. Certeza também que eu não era mais nem sombra do que eles esperavam de mim.

Assim é a vida.

Dali pra cá eu tive que fazer novos amigos e me apegar a novas pessoas.

Amei todas elas.

Hoje sou parte de cada um deles. De cada um de vocês.

calvin

 - Só conheço Philip Roth e John Fante por tua causa.

 - Fiquei afim da tua mina e você me perdoou.

 - Não te dava um real e tu me fode a cuca com tanto carinho e conhecimento.

 - Só com você que eu me pego rindo de palavras como “peido” e “fedô”.

 - Te escrevi um conto porque tu me mostrou que a vida era mais, bem mais.

 - Tu dormiu ao meu lado vendo “Cinemas, asperinas e urubus”.

 - Tu ficou mal junto comigo quando eu atropelei um passarinho na estrada pra Viradouro.

 - Tu me faz querer cantar o “Abbey Road” todinho contigo.

 - Tu não queria gostar de mim sem nem me conhecer. Mas gostou mesmo assim…

 - Tu foi meu mestre na escrita e é meu mestre na vida. Sempre.

 - Tu que me disse “Cara, vai conviver com pessoas que te fazem bem”.

 - Tu brigou com eles quando eles nao me ouviam.

 - Tu dizia “Eu Tavu” e nega até hoje.

 - Tu me deu MMs só porque eu disse que gostava.

 - Tu ficou conversando comigo na Fun House a madrugada inteira.

 - Tu não deixou eu ver filme pornô no motel de beira de estrada.

 - Tu me manda as fotos mais perturbadas da Internet.

 - Tu me deu abertura quando te chamei de “Sininho”.

 - Tu foi até a USP de taxi, num frio desgraçado, só pra me ver.

 

É com vocês que eu posso me mostrar orgulhoso, intransigente e xarope.

Sem vocês eu não sou.

“nosso mundo ainda gira mas faltando uma peça”