Na verdade já era bem mais que esperado. Todo mundo sabia que o Radiohead faria um show incrível ontem no Just a Fest. Quem comprou (e também quem não comprou) um ingresso para ver o Radiohead ao vivo sabia que o som estaria impecável, que o setlist seria ótimo (fosse qual fosse), que a banda britânica falaria de menos e tocaria de mais (e demais). Quem entrou na Chácara do Jockey ontem (mesmo com todos os percalços de localização e falta de estacionamentos decentes) sabia que estava prestes a ver uma apresentação memorável (e, de fato, foi). Mas saber que o trem vem vindo não significa saber como lidar com a tal da trombada.
“Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu nem sei o nome…”

E que trombada.
Apesar da localização, o clima bucólico instaurado no local, com gramado gélido, ventinho frio, garoa fininha, céu acinzentado e verde apagado na copa das árvores ao redor, não podia ser melhor. Coisa toda só melhoraria com a trilha sonora – escolhida a dedo – que antecedeu os shows: Miles Davis, Gal Costa, The Specials (com Ghost Town, da trilha sonora de Snatch – Porcos e diamantes) e Tim Buckley.
“I can see through you
See your true colors…”
Eu os via através de cores. Um Thom Yorke laranja, um Johnny Greenwood róseo, um Ed O’brein esverdeado. Eu não os via bem (a não ser nos telões que se dividiam em quatro ou cinco e focava em detalhes de cada um deles – closes nas faces tomadas pela música, nas cordas do baixo ou nas baquetas), mas via as cores que chegavam através das canções. Via o branco estourado e desesperado nas explosões de Paranoid Android e o roxo melódico que precedeu as últimas explosões que atenuavam o contraste do branco (que chegava a “incomodar”) com o preto que enfatizava babas, cabelos e olhos. Eu os sentia naquele azul que tanto acalentava e me aproximava deles naquele outro contraste em que o negro formava-se predominante e dominador.

“Now we are one in everlasting peace”
As cores se revoltaram e apareceram atordoadamente misturadas nas distorções de Creep, derradeira canção da catarse generalizada que o Radiohead se propôs (mais uma vez) a fazer. Uma confusão de arco-íris e Pop Art em alguns segundos quase subliminares.
E há ainda quem diga que Radiohead é depressivo, que é fossa demais pra se curtir.
março 25, 2009 às 3:42 am
[...] de refletir sobre as cores Radioheadianas, eu fui abordar o fato da grande magia da [...]