Posts de Março, 2009

Maravilhas em Preto e Branco

Março 31, 2009

Simples. Depois de ficar divagando sobre as cores Radioheadianas (no último post), me veio a idéia de enumerar algumas maravilhas em preto e branco. Sem ordem de importância ou caracterização, decidi colocar algumas das coisas que adoro e que, por acaso do destino, foram concebidas em duas cores.

 

 

Charlie Chaplin:

 

"The Tramp"

"The Tramp"

 

Nunca ninguém fez tanto com tão pouco. O vagabundo era o mesmo, os motes para rir eram os mesmos, os contextos podiam variar bastante, mas a sentimentalidade era a mesma.

 

Charlie era metódico e intenso. Carlitos era assistemático por talento e afetuoso por carência. Chaplin não se continha e sempre inseria suas ideologias em suas películas. O Vagabundo se resguardava, até porque não podia falar (isso até “O Grande Ditador”, em que o barbeiro judeu finalmente disse tudo que o velho Chaplin e o próprio Vagabundo sempre quiseram desabafar). E nem posso dizer que são os dois lados de uma mesma moeda. Charlie Chaplin é um tesouro cunhado com esmero, uma estrela poderosa da Hollywood do começo do séc. XX (tinha o próprio estúdio, fazia os próprios roteiros que ele próprio os dirigia e atuava). Carlitos não valia um tostão furado além do valor simbólico de ser uma das personagens mais queridas e lembradas de toda a história do cinema. Claro que ambos são uma única entidade e é justamente esse o grande fascínio que temos por criador e criatura que se completam e se caracterizam por sempre se mostrarem, cada um a seu jeito, amantes profundos das grandes e pequenas coisas.

 

Carisma em "Tempos Modernos"

Carisma em "Tempos Modernos"

 

 

 

Os Três Patetas:

 

Moe, Larry e Curly

Moe, Larry e Curly

 

E pensar que, na verdade, nem eram só três. Moe, Larry, Curly, Chemp e Joe. Estava formado o pastelão mais divertido dos anos 40 e 50. Uma espécie de “Os Trapalhões dos anos dourados” em que um era o líder sério, o outro era o desatento e ainda tinha um último que se dotava de uma inocência incessante. Os esquetes também rodavam em torno de um mesmo eixo: se dar bem.

 

Claro que, nessa premissa de enganar ou driblar situações pra garantirem alguma jogada, armava-se uma intensa confusão cheia de coisas voando, correrias e caretas. O mais legal era a semelhança que o trio tinha com os desenhos animados que e faziam pela violência gratuita e (aparentemente) sem maldade. Valia de um tudo pra surpreender e arrancar diversas gargalhadas, desde tapas na cabeça, passando por sopapos na cara, pisões no pé, ganchos no estômago, sabão goela abaixo, sapatadas, agulhadas, mordidas, pontapés, fugas aos tropeços, xingamento exacerbado e a clássica dedada nos olhos (cuja defesa mais eficaz era colocar a mão na frente do nariz, evitando assim que o dedo indicador e o médio golpeassem as bolas do zóio). 

 

O clásico pastelão

O clásico pastelão

 

 

 

 

Alfred Hitchcock:

 

o Careca e sua "Psicose"

o Careca e sua "Psicose"

 

Não é chamado de Mestre à toa. Meticuloso ao extremo, Hitchcock fez escola e definiu o que é um filme de mistério. De Receba (a mulher inesquecível) à Cortina rasgada. Janela Indiscreta, Psicose, Um Corpo que Cai. O diretor inglês sabia com primor como mexer com nosso psicológico, como aguçar o nosso voyeurismo, como nos atormentar com apaixonadas perigosas e homens transtornados com suas mães. Dirigiu James Stewart e Cary Grant, este último, um dos poucos que conseguiu atuar em diversas películas do careca excêntrico, já que é de conhecimento que Alfred Hitchcock tacava o puteiro geral quando dirigia seus filmes (possuindo até a célebre frase “Ator pra mim é como gado”).

 

Hitchcock divagando em seu set

Hitchcock divagando em seu set

 

O mais interessante mesmo é como um bom suspense fica ainda melhor em preto e branco.     

 

 

Sin City:

 

Imagens capturadas como nos quadrinhos

Imagens capturadas como nos quadrinhos

Temos uma unanimidade – Frank Miller sabe fazer quadrinhos. Seja como desenhista, roteirista ou criando tudo, do começo ao fim, tudo que envolve seu nome vira objeto cultuado. O Cavaleiro das Trevas, (Demolidor,) O Homem sem Medo, Elektra e uma infinidade de mini-séries que se destacaram pela qualidade dos traços e a profundidade dos temas.

 

Temos também uma confusão – Nem todo mundo acha que Frank Miller sabe fazer cinema. 300 (de Esparta) dividiu críticas e (o ainda não lançado) Spirit já foi bem chutado pelos especialistas (do cinema e dos quadrinhos). Mesmo assim, um filme de Frank Miller sempre gera $ e discussão.

 

Sin City é sua obra mais querida e divisora de águas – tanto nos quadrinhos quanto nos cinemas. Personagens dos mais carismáticos são inseridos a rodo nas tramas que sempre envolvem a protagonista: A Cidade. São monstros, heróis e deusas que vão e vem na noite fria impregnada de violência, sexo e…Pecado.

 

Marv - O sociopata mais querido

Marv - O sociopata mais querido

 

 

Doze Homens e uma Sentença:

 

o Big Brother em preto e branco

o Big Brother em preto e branco

Em uma conversa de boteco, estávamos Rafael Campos, Pedro Jansen e eu, admirando os colhões que teve Christopher Nolan ao filmar duas cenas do Batman (O Cavaleiro das Trevas) sem usar efeitos especiais. Nos dias de hoje, gravar aquela cena do caminhão tombando e da explosão do hospital pra valer, numa única chance (imagina a $ e o tempo tomado caso tudo desse errado) era mesmo um fato digno de pagação de pau. Mas colhão, colhão mesmo é colocar praticamente todo o elenco que se tem dentro de uma sala apertada e desenrolar a trama quase toda no tal cubículo. E mais colhões ainda é fazer disso tudo um dos maiores clássicos do cinema. A parada é a seguinte: um grupo de pessoas deve decidir o destino de um acusado de assassinar o próprio pai. Onze deles são taxativos – Culpado. Mas Henry Fonda, o jurado de número 8 discorda – Ele é inocente.

 

Nisso tudo se desenrola um interessante estudo antropológico da convivência em grupo do ser humano (isso muito antes de alguém vir pra “inventar” o Big Brother, hein) em situações complicadas, sob forte pressão e em lugares restritos (os doze jurados só podiam sair da sala com uma decisão unânime). Botar tudo isso nas costas e voltar com um filme ótimo, ah…não é pra qualquer um não (palmas para o diretor, Sidney Lumet).

 

Os jurados

Os jurados

 

I Don’t Know What To Do With Myself:

 

Kate Moss

Kate Moss

 

Simplificando – uma mulher gata fazendo lap dance é sempre uma mulher gata fazendo um lap dance. E tenho dito.

 

Jack White conheceu a modelo Kate Moss, que lhe confessou ser grande fã da dupla White Stripes. E ele disse como quem não quer nada – “Hey, você poderia então participar de um clipe nosso”. Para a sua surpresa (e nosso deleite), ela disse sim e, como dizem por aí, o resto…é história.

 

O vídeo, pra completar, foi dirigido pela Sofia Coppola e é simples e objetivo: uma modelo gata, um cano estrategicamente posicionado e a sensualidade natural que exala tanto da Kate Moss e seus pezinhos vagando no ar quanto da delicadeza sempre presente da menina Coppola. Tudo isso, claro, com a indagação mais pertinente pro momento: “I just don’t know what to do with myself”.

 

 

 

Blade – A Lâmina do Imortal:

 

Manji

Manji

Páginas e páginas onde a delicadeza da tradição incrustada na alma japonesa se encontra com a sede de violência tão pertinente ao mundo ocidental, criando um dos mangás mais gostosos de ler. A história em si é bem simples e a imagem e semelhança de outras tramas nipônicas não é mera coincidência: Manji, o guerreiro que fode com todo mundo, se arrepende, mas uma maldição faz com que ele continue a fazer o que faz de melhor (foder com todo mundo). Mas dessa vez, em prol da boa ação. O armipotente agora é imortal e vive recluso, só podendo bater as botas depois de matar 1000 (sim, eu escrevo por extenso – mil) criminosos. E já que é pra retalhar geral, Manji decide ajudar uma pequena em sua vingança dos pais mortos contra um grupo de rebeldes que acham que fodem com todo mundo (o Itto-ryu). O desenho é bem traçado e em algumas páginas temos verdadeiras pinturas tomadas de extrema doçura, mostrando ápices de batalhas brutais. Toda a coisa também vem recheada de informações interessantes sobre as tradições e costumes do Japão feudal, explicando nomes, termos e situações que melhor nos ambientam no verdadeiro massacre que Manji provoca por onde passa.

 

Delicado e brusco

Delicado e brusco

 

 

Dylan Dog:

 

o "detetive do pesadelo" e a Morte

o "detetive do pesadelo" e a Morte

 

Também chamado de “o detetive do pesadelo”, Dylan Dog é o protagonista do quadrinho mais famoso da Itália e, se tudo continuar correndo bem, vai virar filme em breve.

 

A HQ é da década de 80 e fez um sucesso relevante em muitos países, apesar de ter tido seus altos e baixos aqui no Brasil (vários cancelamentos e relançamentos em diversas editoras).

 

Dog é um ex-agente da Scotland Yard que largou seu posto para prestar serviços particulares em um escritório, sempre contando com a presença de seu inseparável ajudante, o (como o próprio detetive diz) “famoso comediante” Grouxo Marx. Dylan Dog está sempre de camisa vermelha, jeans, paletó preto (os quadrinhos são em preto e branco, mas as capas sempre são coloridas) e também não sai de casa sem sua coleção de piadas e comentários politicamente incorretos. Agora…por que raios “detetive do pesadelo”?

 

Dog só pega casos escabrosos que envolvem assassinatos, cemitérios, sobrenatural e pactos com o Coisa-Ruim. Os quadrinhos são imersos em mistério, suspense e dilemas que mexem com religião, moral e qualquer tipo de bons costumes. Os traços de nanquim muitas vezes beiram o grosseiro e desenvolvem todo tipo de sensualidade, tragédias, rituais macabros que invocam demônios, envolvem sacerdotes e mulheres nuas prontas para o…sacrifício.

 

Eu cheguei a ter um especial em que Dylan Dog se via obrigado a fazer parceria com Martin Mystère (personagem de um quadrinho francês, também dos anos 80) numa aventura que chegou a ter uma rápida (e nem um pouco tranquila) descida ao Inferno e a descoberta de que o careca de óculos escuros que ambos perseguiam era, na verdade, o Pé-Preto himself. Cruz-credo!

 

Dylan Dog e seus demônios

Dylan Dog e seus demônios

 

 

 

Estrelas em Preto e Branco:

 

Marilyn Monroe

Marilyn Monroe

 

Fotos de grandes estrelas em preto e branco são quase sempre mais legais que as fotos de grandes estrelas em cores. Seja no glamour, na nostalgia, na poética ou no estilo que caracteriza essas imagens estáticas que artistas que admiramos, uma foto em PB pode realmente definir, no ato, todo o propósito de tal registro.

 

Rat Pack

Rat Pack

 

O Glamour da era de ouro de Hollywood, com suas divas e seus cantores-atores. Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Frank Sinatra e os outros Rat Packs, Dean Martin e Sammy Davis Jr. De James Dean a Marlon Brando. Nossos mestres da música brasileira imortalizados em dois tons. Noel, Caymmi, Tom e Vinícius em momentos de descontração, de Cartola a Chico Buarque na época em que cultivava seu bigode.

 

Audrey Hepburn

Audrey Hepburn

 

Da era ieieiê doa Beatles até os poderosos homens de negócio da música, como o impiedoso esmagador da concorrência no Rap gringo, Jay Z. As cores estão aí há mais de muito tempo, mas o que faz mesmo a cara de qualquer musico, ator ou qualquer aspirante ao estrelato é mesmo as poses em duas cores.

James Dean

James Dean

 

 

 

Cartola

Cartola

 

 

 

Chico Buarque

Chico Buarque

 

 

 

mestre Dorival Caymmi

mestre Dorival Caymmi

 

 

 

Jay Z

Jay Z

 

 

 

Arctic Monkeys

Arctic Monkeys

 

 

 

Barack "newest popstar" Obama

Barack "newest popstar" Obama

 

[Claro que faltaram várias maravilhas em PB para se comentar - de O Gordo e o Magro e Comedy Papers a Calvin e Haroldo. Mas quem sabe essepost não tem uma continuidade em algum blog por aí. Clro que, se houver, venham me avisar]

Tudo em seu devido lugar.

Março 24, 2009

 

Na verdade já era bem mais que esperado. Todo mundo sabia que o Radiohead faria um show incrível ontem no Just a Fest. Quem comprou (e também quem não comprou) um ingresso para ver o Radiohead ao vivo sabia que o som estaria impecável, que o setlist seria ótimo (fosse qual fosse), que a banda britânica falaria de menos e tocaria de mais (e demais). Quem entrou na Chácara do Jockey ontem (mesmo com todos os percalços de localização e falta de estacionamentos decentes) sabia que estava prestes a ver uma apresentação memorável (e, de fato, foi). Mas saber que o trem vem vindo não significa saber como lidar com a tal da trombada.

 

Eu ando pelo mundo prestando atenção

Em cores que eu nem sei o nome…”

 radiohead-2

E que trombada.

Apesar da localização, o clima bucólico instaurado no local, com gramado gélido, ventinho frio, garoa fininha, céu acinzentado e verde apagado na copa das árvores ao redor, não podia ser melhor.  Coisa toda só melhoraria com a trilha sonora – escolhida a dedo – que antecedeu os shows: Miles Davis, Gal Costa, The Specials (com Ghost Town, da trilha sonora de Snatch – Porcos e diamantes) e Tim Buckley.

 

“I can see through you
See your true colors…”

 

Eu os via através de cores. Um Thom Yorke laranja, um Johnny Greenwood róseo, um Ed O’brein esverdeado. Eu não os via bem (a não ser nos telões que se dividiam em quatro ou cinco e focava em detalhes de cada um deles – closes nas faces tomadas pela música, nas cordas do baixo ou nas baquetas), mas via as cores que chegavam através das canções. Via o branco estourado e desesperado nas explosões de Paranoid Android e o roxo melódico que precedeu as últimas explosões que atenuavam o contraste do branco (que chegava a “incomodar”) com o preto que enfatizava babas, cabelos e olhos. Eu os sentia naquele azul que tanto acalentava e me aproximava deles naquele outro contraste em que o negro formava-se predominante e dominador.

 radiohead-13

Now we are one in everlasting peace

 

As cores se revoltaram e apareceram atordoadamente misturadas nas distorções de Creep, derradeira canção da catarse generalizada que o Radiohead se propôs (mais uma vez) a fazer. Uma confusão de arco-íris e Pop Art em alguns segundos quase subliminares.

 

E há ainda quem diga que Radiohead é depressivo, que é fossa demais pra se curtir.

 

“I am all the days that you choose to ignore

Pela última vez…

Março 19, 2009

Choveu pra diabo em Sampa,né não!?

Não tinha como voltar pra Santo André (minha queridinha terra natal) e recebi abrigo na casa da minha amiga Carol Bazzo, que acabou escrevendo um texto muito bom sobre a despedida da paulicéia desvairada.

Hoje, estávamos subindo a Augusta para ir trabalhar e, chegando perto da Av. Paulista, reparei numa multidãozinha de menininhas.

Era um grupo consistente de garotinhas com camisetas, faixas na cabeça, revistas nas mãos e brilhos inigualáveis nos olhinhos jovens. todos os apretechos continham uma alcunha em comum: NX Zero.

 

"Todos me olham, mas ninguém vê..."

"Todos me olham, mas ninguém vê..."

 

 

 

Foi tudo bem rápido.

Passamos, eu me despedi da Carol e entrei no metrô Consolação rumo a mais um dia.

 E realmente, pra mim, foi mais um dia. Mas só pra mim.

Nesse momento singelo em que atravessamos um aglomerado de meninas empolgadinhas com um possível encontro com a banda-ídolo, eu vi uma mocinha bem baixinha, loirinha e levemente rechonchuda. Ela estava de camiseta branca com o logotipo da banda, tinha a franja cobrindo uma faixa vermelha e estava com algum cartaz enrolado e protegido pekas pernas de calça jeans preta e bem apertada.

A mocinha estava em prantos. Seus olhos emanavam um misto de desespero, ansiedade, culpa e desejo.

As lágrimas caiam sem piedade e, ao redor dos olhos, um vermelho forte tomava conta da pele branquinha dela, que olhava pro nada enquanto desabafava algum dos sentimentos citados acima (ou todos juntos de uma vez só).

Eu passei e não ouvi um som sequer que ela emitiu. Pessoas falavamem volta, eu tentava prestar atenção no que a Carol estava falando e, enfim, só tive a imagem por alguns míseros segundos ou pares deles.

 

"Tente me ouvir agora..."

"Tente me ouvir agora..."

 

 

Nem sei se a garotinha chegou a encontrar os tais NX Zero.

Mas sei que ela vai levar aquele momento pra sempre. Ela vai crescer e envelhecer com aquele dia como lembrança forte. Vai rir daquilo tudo…vai lembrar que chorou a beça e provavelmente vai se sentir uma boba por ter feito aquilo. Ela vai até contar pros amigos e amigas em mesas de bar e vai rir e debochar. Mas com certeza ela vai sempre lembrar desse dia com muto carinho. Ela sempre vai s sentir bem ao lembrar do dia em que ela conseguiu chegar perto ou quase perto da “melhor banda de todo o planeta”.

Certeza eu tenho, pelo menos, de que algo de muito bom sairá daquela bolha de pensamentos que passaram naquelas horas de espera e de, se aconteceu, um encontro mamorável.

Eu sempre achei que pagação exacerbada de pau era uma tremenda babaquice.

 

Hoje não acho mais não.

A day in the life

Março 11, 2009

 

Uma pequena voltinha pelas notícias de hoje:

 

Madoffudeu:

 

Ex-presidente da Nasdaq pode pegar 150 aos de cadeia. Tu realmente acredita que ele deveria ser o único a pagar o pato? – ou melhor – Tu REALMENTE acha que ele pagará o pato?

 

Maffod. Oops - Maddof.

Maffod. Oops - Madoff.

 

Falta de ousadia:

 

Uma galera da Irlanda, com medo de fazer covers do U2, maior expoente musical do país (o álbum novo tá vendendo mais que boneco de duende do pote de ouro), estão matando a população com um famigerado cover do…IRA! (eeeeew!!!)

 

"Se hoje canto essa canção, o que cantarei depois..."

"Se hoje canto essa canção, o que cantarei depois..."

 

“Lick It Up!”:

 

Obama lidera indicações para um prêmio literário britânico, por dois títulos (um deles, lançado ainda na década de 90). É memo muita lambeção, mas ainda bem que é só pra inglês ver.

 

E fala vai, ele adoooora...

E fala, vai...ele adoooora...

 

Daquele jeito:

 

Rubinho Barichello ficou em terceiro lugar no primeiro treino que fez pela Brawn GP, a mais nova equipe da F1. Dizem por ai que participaram do treino o Rubinho, seu parceiro de equipe…e só.

 

Ele jura que não...

Ele jura que não...

 

Camiseta comemorativa:

 

Lula, Dilma, Mantega, todos com a mesma camiseta após a divulgação da queda tremenda do PIB no 4°trimestre de 2008. A frase da camiseta?- EU JÁ SABIA!!!

 

É...oi?

É...oi?

 

La concha de tu madre:

 

O vice-presidente argentino continua machucando o calcanhar do casal Kinchner. Ele é vice, mas virou o mais ferrenho da oposição. Mas ver um hermano fodendo outro hermano não é mais nem novidade, vai.

 

 

E fala, vai...eles adoooooram!

E fala, vai...eles adoooooram!

 

 

E tenho dito!

Lapadas do povo.

Março 6, 2009

 

É isso aê! Salve, salve!

A polícia do Rio de Janeiro prendeu, na tarde última, os quatro assaltantes que roubaram o carro de um casal carioca.

 

Sim! A polícia do Rio de Janeiro prendeu logo os quatro meliantes que serão julgados por tentativa de latrocínio (o famoso roubo seguido de morte) e podem pegar até 25 nos de reclusão.

 

Acreditem! Os bandidos serão indiciados por latrocínio porque, após roubar o veículo e mais uma série de pertences (de acordo com as noticias: dinheiro, jóias, cordões, celulares, carteiras, dentre outros) na base da coronhada e pontapés, jogaram o casal barranco abaixo.

 

A mulher ficou “meio que pendurada” enquanto o homem foi rolando por mais de cinco metros.

 

Boa essa polícia do Rio de Janeiro, né não!?

Não. Não é.

 

The Four Horse......men(!?)

The Four Horse......men(!?)

Os quatro estrupícios foram detidos pelo simples fato de que os traficantes da Rocinha (comunidade em que viviam) assim quiseram. O quarteto do barulho realmente fez barulho (deixaram um dos carros roubados na noite – estimam que foram três – largado na comunidade) e a polícia, após todo o burburinho na imprensa, anunciou que faria um intensivo na maior favela do Rio e, com isso, os donos da coisa deram “aquele” papo reto: espancaram o grupo (com direito a tiro na mão de um, tiro na perna de outro, e algumas outras traquinagens) e os expulsaram do morro. A polícia recebeu uma “denúncia anônima” e pegou a galerinha toda nos arredores do pé da Rocinha.

 

Parece que ficou tudo bem claro, mas é sempre bom recapitular as entrelinhas:

 

1 – Os bandidos em geral estão bem ousados, mas muitos continuam bem burros.

 2 – A polícia perdeu uma mão molhadinha (claro que eles investiriam no morro pra levar um pra “manter a paz” dos donos de boca), mas levou a noticia da captura dos famigerados que estavam dando o que falar. Assim, de grátis.

 3 – enquanto isso, aqueles que quase fizeram do Marcelo Yuka o novo João Hélio, continuam tacando o puteiro na Cidade Maravilhosa.

 4 – Ou seja, os bandidos continuam burros (esses que tentaram assaltar o ex-batera d’O Rappa largaram o carro por não saber dirigir o possante preparado para “portadores de necessidades especiais), mas a polícia certamente (sobretudo a do Rio) não está nada mais inteligente.

De onde vem? Pra onde vai?

Março 2, 2009

 

Sempre que a tal comparação era escrita em algum texto, eu me sentia diferente: “É como uma perna amputada que ainda coça”. É uma daquelas frases que sempre se usam quando se comenta algo pesado, uma comparação pra se chocar.

 

Nessa frase em específico, o foco sempre fica na perna amputada, ou seja, na coisa em si. Usada pra falar da coisa em si que falta e que não voltará mais. A ênfase está na coisa e na coisa sempre fica. Você lê o texto, imagina a coisa, associa a alguma coisa sua e reflete sobre a coisa. A coisa, a coisa, a coisa. Tudo gira em torno…da coisa.

 

Eu sempre evitei tal frase. Eu sempre evitei tal comparação. Não que eu a ache pesada demais, descabida, desmedida. Só nunca veio a calhar de fato. Até este post. Até esta coisa.

 

Mas eu não vim falar de coisa. Não estou escrevendo este post por causa de alguma perna. Este texto é sobre a coceira.

 

Eu acho realmente muito interessante quando algo marca você para todo o sempre (ou enquanto esse sempre é para sempre). Momentos da vida que, de tempos em tempos, ressoam na mente perturbando ou alegrando algum momento de solidão ou de compartilhamento de idéias com bons amigos.

 

A tal coceira a que me refiro é a música. Eu tenho sérios problemas com elas.

 

A música sempre foi parte vital do meu dia-a-dia e até da minha formação como pessoa (mas claro que não preciso aprofundar muito esta parte) e, mesmo que eu não fizesse tanta questão, ela estaria presente (como uma coceira de uma perna que foi amputada).

 

Tenho comigo alguns sons que, querendo ou não, fizeram parte de algum momento e fixaram-se tão fortemente em mim que me espanto toda vez que, ao serem tocadas, instintivamente volto a algum estado de espírito fora do contexto do momento.

 

O mais interessante é justamente quando o tal som não faz parte das suas músicas preferidas.

 

Eu explico.

 

Existem bandas que são do coração. Bandas que você gosta acima de todas as críticas e continua curtindo mesmo depois deter um gosto bem mais apurado pra coisa. Alguns exemplos rápidos:

 

Duas bandas que carrego no coração são Pearl Jam e Rage Against The Machine. Ouvi a exaustão os álbuns de ambas, li e reli matérias, notícias, histórias e filosofias delas. Obviamente no meu consciente e no meu inconsciente existem muitos paradigmas em que esses sons se encaixam como trilha sonora.

 

[uma das facetas do Pearl Jam - Yellow Ledbetter]

[a fúria usual do Rage Against The Machine]

 

Já no caso da tal coceira, são músicas que teimam em aparecer e chutam sua memória bagunçando tudo, misturando passado e presente inerente da sua permissão.

 

Coldplay – Yellow:

 

Quando o Chris Martin nem aparentava ser o picareta que é, meu primeiro namoro se encerrava. Me lembro fortemente de uma cena em que eu passei algumas horas sentado na calçada da rua da minha avó ouvindo walkmen (não a banda, o aparelho) e começou a tocar a tal de Yellow.

 

 

Tenho a convicção de que eu não associei a canção com a sensação que estava no momento, mas sempre que a escuto por aí, sinto algo bom. Sempre que a escuto por aí, sinto-me livre. E aí é que está a jogada de como a coceira é estranha. Pois eu sei que na época em que eu estava sentado fones no ouvido, a sensação era a de um final de namoro (turbilhão de pensamentos, tristeza que independe de alívio, falta de estabilidade, etc).

 

Beirut – Elephant Gun:

 

A querida Nat Vaz me mostrou o som da banda nos meados do primeiro bimestre de 2008. Mostrou justamente o clipe de Elephant Gun e disse que adorava a banda. Consegui o álbum (pois tinha achado interessante o clipe) e achei bem ok. E foi basicamente isso. A banda ficou para trás, eu corri atrás de sons novos para o Calo na Orelha e a banda ficou lá, nos meados do primeiro bimestre de 2008.

 

A Grobo, canal mais indie do Brasil, inseriu a canção Elephant Gun na série Capitu. Eu assisti a série, lembrei do som na hora, comentei por aí e tudo mais. E era pra ficar nisso. Mas não ficou.

 

 

Toda vez que escuto a melodia, principalmente quando ela cresce com os arranjos de metais, me lembro de uma cena do primeiro beijo entre o menino Bentinho e a tatuada Capitu. A audição involuntária me traz um reconforto enorme, mesmo remetendo a algo que não vivi.

 

Resumindo, existe muito mais que a coisa em si. Claro que a coisa em si é importante, mas eu gosto muito de refletir sobre a coceira que aparece de repente na perna amputada e você fica se perguntando como isso pode acontecer se você tem as duas, logo abaixo do tronco.